Os desafios do Grande Prêmio do Japão de 2026

Os desafios do Grande Prêmio do Japão de 2026

A F1 chegou às cerejeiras em flor para o Grande Prêmio do Japão. Descubra o que está em jogo nesta terceira e última etapa da turnê asiática. 

Os dois primeiros Grandes Prêmios da temporada já deram o tom, com uma hierarquia se delineando, mas também algumas surpresas. Algumas equipes confirmaram suas ambições, enquanto outras ainda precisam encontrar o ritmo certo. Uma coisa é certa: a temporada está bem encaminhada, e esta etapa no Japão já pode marcar uma virada.

Uma chance para Oscar Piastri 

O australiano está dando o que falar, mesmo sem querer. Vítima de um acidente durante a volta de formação do grid em Melbourne e, depois, de uma falha no motor na China, Oscar Piastri ainda não completou uma única volta em corrida. O objetivo para ele neste fim de semana é, portanto, finalmente dar início à sua temporada. 

Autor do melhor tempo nos treinos livres 2, ele só pode esperar continuar nessa trajetória, ele que respondeu com sarcasmo na quinta-feira que “dar a largada já seria uma coisa boa” quando uma jornalista lhe perguntou do que ele precisava para sair de Suzuka com um sorriso

Uma recuperação para a McLaren e a Red Bull

As duas equipes estão passando por um início de temporada complicado. A equipe campeã mundial foi forçada a abandonar a corrida duas vezes na China devido a um problema de confiabilidade do motor. E quando se sabe que os carros papaya são equipados com o mesmo motor que os Mercedes, que estão arrasando, há motivos para fazer uma careta. 

“Trabalhamos com a HPP (Mercedes High Performance Powertrains) e precisamos de um pouco de tempo para entender, e faremos de tudo para que isso não aconteça novamente. É claro que isso nos prejudicou, como equipe, o fato de nenhum dos dois carros ter conseguido largar. E o mais frustrante foi que isso estava totalmente fora do nosso controle”, explica Lando Norris em coletiva de imprensa na véspera do Grande Prêmio. 

Nosso progresso é real, mas às vezes leva tempo para se concretizar na pista. Não nos tornamos uma equipe ruim da noite para o dia. Temos coisas em desenvolvimento e temos a ambição de voltar ao topo.”

Mas o atual campeão mundial, que está atualmente 36 pontos atrás de George Russell, não desiste.

Conquistamos os dois últimos títulos de construtores e o de pilotos no ano passado porque soubemos projetar e desenvolver o melhor carro do grid, e estou convencido de que podemos fazer isso novamente nesta temporada. Mas isso leva tempo, é preciso ter paciência, e tenho muita confiança na equipe.”

Na Red Bull, o otimismo é menor. Após o abandono de Max Verstappen na China e os problemas de ritmo apresentados, a equipe austríaca está longe do objetivo e este fim de semana provavelmente encerrará quatro anos de hegemonia neste circuito. Com o décimo melhor tempo no EL2, Verstappen reclamou bastante do carro, mencionando, em particular, problemas de subviragem. Ao contrário da McLaren, o calcanhar de Aquiles da Red Bull não é o motor, mas sim o chassi. Um problema de construção que levará tempo para ser corrigido, segundo Isack Hadjar. “Alguns meses, talvez um ano, quem sabe?”, estimou ele em entrevista coletiva. 

Não temos o carro mais leve, isso é certo. Não quero dizer que ele seja difícil de pilotar. Somos apenas lentos. […] De qualquer forma, não é um carro totalmente imprevisível e impossível de pilotar. Perdem-se, sobretudo, muito tempo nas curvas. Nessas seções, não somos rápidos o suficiente.”

A gestão da dupla da Mercedes 

A questão da hierarquia entre os pilotos começa a se tornar um verdadeiro desafio na Mercedes. Apesar de ter uma vantagem notável sobre seus concorrentes, a equipe vê surgir uma rivalidade interna promissora. Nos dois últimos Grandes Prêmios, Kimi Antonelli e George Russell dividiram, de fato, o degrau mais alto do pódio. Em sua segunda temporada na F1, Antonelli já demonstra claramente sua ambição de alcançar o nível de um piloto número 1. 

Até agora, a Mercedes manteve-se discreta quanto à gestão de seus pilotos, e a experiência de Russell fazia dele, logicamente, o líder natural da equipe. Mas essa dinâmica pode mudar rapidamente. O confronto entre os dois se anuncia particularmente interessante, ainda mais porque Russell, no passado, já demonstrou, por vezes, dificuldades em lidar com a pressão em momentos decisivos.

Mudança de rumo na Audi 

Na Audi F1, o clima está tenso no momento, combinando resultados abaixo do esperado nas pistas e desordem interna. A saída inesperada de Jonathan Wheatley, atribuída publicamente a motivos pessoais, parece revelar, na verdade, desacordos profundos com Mattia Binotto sobre a organização e a gestão do projeto, sinal de um funcionamento ainda instável. No plano esportivo, os resultados não estão aparecendo neste início de temporada, com um carro difícil de pilotar e um déficit de competitividade que impede a equipe de se mostrar consistente na zona de pontuação. 

O próprio Nico Hülkenberg reconheceu ter tomado conhecimento desse anúncio “ao mesmo tempo que o resto do mundo”, ao mesmo tempo em que mencionou a existência de tensões nos bastidores e a necessidade de ajustes, embora se mostre otimista quanto à solidez geral da estrutura. O conjunto reflete um projeto ambicioso, mas ainda frágil, onde as incertezas organizacionais se somam aos desafios técnicos.

Ainda há muitos desafios a serem superados pelas equipes, e o que está em jogo neste fim de semana é ainda mais importante, já que todas terão o desejo de sair de Suzuka com a sensação de dever cumprido. O cancelamento das corridas no Bahrein e na Arábia Saudita devido ao contexto geopolítico leva a uma pausa forçada e torna o Japão um momento decisivo para o restante da temporada.