Aqui está tudo o que muda no Grande Prêmio de Miami

Aqui está tudo o que muda no Grande Prêmio de Miami
Crédito: George Russell en course au Grand Prix de Miami 2025 avec Mercedes AMG Petronas. Crédit photo Overtake Agency / Joe Pinchin

O retorno da Fórmula 1 a Miami não marca apenas o reinício após a pausa. É também o ponto de partida de uma esperada mudança regulamentar… e que já está sendo analisada minuciosamente pelas equipes.

Qualificações menos “elétricas”… e mais naturais

Desde o início da temporada, os monolugares de 2026 introduziram uma nova variável: a energia elétrica. Com até 350 kW fornecidos pelo MGU-K, as velocidades máximas aumentaram — às vezes um pouco demais.

O problema? A bateria nem sempre acompanha. Resultado: fases de gestão muito marcantes, com “lift and coast” e “super-clipping” que transformavam certos trechos rápidos… em zonas de recarga.

Claramente, não é o ideal para o espetáculo.

A resposta da FIA: reduzir a energia recuperável em uma volta. Menos recuperação = menos gestão extrema = mais pilotagem pura.

Consequência direta:

  • velocidades máximas ligeiramente reduzidas
  • mas uma aceleração mais constante
  • e, acima de tudo, menos quedas bruscas no final da reta

De acordo com as simulações da McLaren, o impacto permanece limitado: “O impacto é relativamente pequeno, alguns décimos no máximo.”

Estamos falando de cerca de 2 a 3 décimos por volta. Ou seja, a hierarquia não será abalada… mas a maneira de chegar lá, sim.

Menos dispositivos, mais pilotagem

Outro ajuste importante: o gerenciamento da ativação elétrica.

O famoso “super-clipping” continua presente, mas seu uso será menos frequente. A ideia é simples: evitar que os pilotos passem a volta gerenciando modos em vez de atacar.

O motor a combustão volta, portanto, a ter um papel mais central. E isso muda tudo na forma de abordar uma volta rápida:
mais fluidez, menos cálculos constantes.

Ultrapassagens mais… clássicas

Essa é provavelmente a mudança mais visível nas corridas.

Após algumas diferenças de velocidade consideradas excessivas — observadas principalmente no Grande Prêmio do Japão —, a FIA decidiu acalmar os ânimos.

A partir de agora:

  • a potência elétrica será limitada a 250 kW fora das retas
  • ela permanecerá em 350 kW apenas nas zonas adequadas (DRS / abertura total)

Tradução: chega de ataques “que surgem do nada” em trechos improváveis.

O objetivo é claro: concentrar as manobras nas zonas naturais de ultrapassagem, onde o piloto faz a diferença — frenagem, trajetória, timing.

Mais estratégia, menos instinto puro

Outro efeito colateral (e não menos importante): a gestão de energia se torna ainda mais estratégica.

Usar o boost na hora errada pode custar caro… muito caro.

Uma ultrapassagem mal preparada pode se transformar em um contra-ataque imediato algumas curvas adiante. Um clássico… trazido de volta à moda.

Um equilíbrio assumido entre segurança e espetáculo

Esses ajustes são resultado de várias situações limite observadas no início da temporada. A ideia não é restringir o espetáculo, mas torná-lo mais legível — e mais seguro.

Menos ultrapassagens bruscas, mais disputas bem construídas.

E, acima de tudo, um retorno a uma forma de lógica: ultrapassar onde é suposto ser possível.

Neste fim de semana, todos os olhares estarão, portanto, voltados para:

  • o comportamento dos carros na qualificação (menos gestão?)
  • a maneira como os pilotos utilizam sua energia durante a corrida
  • e, acima de tudo, as zonas de ultrapassagem realmente eficazes

No fim das contas, Miami servirá como um laboratório em tamanho real. Vamos lá, faltam apenas alguns dias para o fim dessa pausa interminável…