Desde que foi rebaixado da Red Bull para a Toro Rosso, as chances de Pierre Gasly voltar à equipe austríaca parecem mínimas. Talvez seja hora do piloto francês procurar novas oportunidades em outro lugar?
Pierre Gasly nunca hesita em reconhecer a “sorte” que o colocou no radar da Red Bull, uma oportunidade que permitiu ao adolescente de Rouen realizar seu sonho de pilotar na Fórmula 1. Sem o apoio precoce da gigante austríaca, o francês talvez nunca tivesse se juntado à elite dos vinte pilotos que disputam um Grande Prêmio. Mas a instituição que lhe abriu as portas também exige resultados imediatos. A reputação da Red Bull em promover rapidamente talentos vem acompanhada de uma cláusula de desempenho implacável, e a campanha de Gasly no início de 2020 não atingiu essa meta. Sempre atrás de seu companheiro de equipe Max Verstappen, o piloto francês teve dificuldade em convencer a hierarquia de Milton Keynes. Quer a pressão tenha sido excessiva ou o equilíbrio interno injusto, o resultado foi inequívoco: Gasly foi transferido para a Toro Rosso, uma equipa que se transformou num viveiro para pilotos cujas ambições na Red Bull estagnaram, em vez de uma verdadeira incubadora para futuras estrelas.
O padrão é familiar. Apenas um punhado de ex-pilotos da Red Bull transformou sua passagem pela equipe em vitórias nas corridas: Sebastian Vettel, Daniel Ricciardo e, claro, Max Verstappen, sendo Vettel o único campeão entre eles. Por outro lado, uma série de nomes promissores – Sébastien Buemi, Sébastien Bourdais, Jean-Eric Vergne, Brendon Hartley – viram suas esperanças na Red Bull evaporarem, antes de alcançarem o sucesso em outras séries.
Os pilotos que rapidamente sentiram que tinham atingido os seus limites optaram frequentemente por sair. Carlos Sainz, antigo companheiro de equipa de Verstappen na Toro Rosso, percebeu que a sua carreira na Red Bull estava bloqueada e aproveitou a oportunidade de um empréstimo à Renault, antes de finalmente conseguir um lugar de piloto principal na McLaren. Daniel Ricciardo, sentindo-se marginalizado pela equipe que privilegiava os pilotos holandeses, também se juntou à Renault, na esperança de que um novo começo relançasse sua carreira.
Hoje, com os regulamentos técnicos de 2021 prestes a remodelar o esporte, Gasly se encontra em uma encruzilhada. O mercado pode parecer restrito, mas essa reformulação promete novas oportunidades para aqueles que estão dispostos a esperar e aproveitar sua chance. Os contratos de veteranos como Valtteri Bottas e Sebastian Vettel expiram no final da temporada de 2020, abrindo possibilidades para um piloto que deseja sair da sombra da Red Bull. Para Gasly, a questão é se a grama é realmente mais verde em outro lugar e se este é o momento certo para o próximo passo evolutivo neste esporte.