Rotation dos chefes de equipe na última década

Rotation dos chefes de equipe na última década
Crédito: FanF1

Na Fórmula 1, as equipes, os pilotos e os diretores de equipe passam por mudanças. Na última década, apenas a Mercedes e a Red Bull mantiveram os mesmos dirigentes, enquanto mesmo a AlphaTauri e a Haas, após travarem uma batalha, também mudaram as pessoas à sua frente.

Como os diretores de equipe moldaram o panorama moderno da F1

Quando os motores mais potentes deste esporte rugem, muitas vezes são as pessoas por trás das paredes dos boxes que determinam se esses sons se transformam em troféus ou permanecem apenas ruídos. Nas últimas duas décadas, um punhado de líderes conduziu suas equipes por triunfos, escândalos e mudanças incessantes, transformando a sorte da Red Bull, Mercedes, Ferrari, McLaren, Aston Martin e Alpine em um estudo de gestão tanto quanto de engenharia. O nome de Christian Horner tornou-se sinônimo da ascensão meteórica da Red Bull. Nomeado em 2005 por Helmut Marko e pelo falecido Dietrich Mateschitz, o ex-piloto britânico passou toda a sua carreira na F1 na equipe austríaca. Bastou um único pódio em Mônaco em 2006 – o terceiro lugar de David Coulthard – para que Horner comemorasse a vitória pulando na piscina do porto vestido com uma capa do Super-Homem. Três anos depois, a equipe comemorou sua primeira vitória no Grande Prêmio da China, com uma dobradinha de Sebastian Vettel e Mark Webber. De 2010 a 2013, a Red Bull conquistou quatro títulos consecutivos de pilotos e construtores, com Horner exclamando de forma famosa: “Sebastian Vettel, você é o campeão mundial! O campeão mundial!” após o primeiro título de Vettel. Após uma breve pausa, Max Verstappen conquistou mais três títulos de pilotos (2021-2023) e outros dois títulos de construtores (2022-2023), cada um comemorado com Horner no pódio.

A trajetória de Toto Wolff ilustra outro caminho para o domínio. Ele entrou no paddock como acionista minoritário da Williams em 2012, ano em que Pastor Maldonado venceu o Grande Prêmio de Barcelona pela equipe britânica. Na temporada seguinte, ele se juntou à Mercedes, onde inicialmente trabalhava sob o comando de Ross Brawn. Quando Brawn deixou a equipe no final de 2013, Wolff assumiu o comando. Sob sua liderança, a Mercedes conquistou oito títulos consecutivos de campeã mundial de construtores (2014-2021) e todos os títulos de campeã mundial de pilotos de 2014 a 2020. Lewis Hamilton igualou o recorde de Michael Schumacher com sete títulos mundiais, seis deles com a Mercedes, enquanto Nico Rosberg conquistou um título em 2016. Wolff renovou recentemente seu contrato até 2026, comprometendo-se a levar a estrela prateada de volta ao degrau mais alto do pódio.

A história recente da Ferrari parece um carrossel de nomeações. Após seis anos à frente da equipa, Stefano Domenicali demitiu-se pouco antes do Grande Prémio da China de 2022, deixando o lugar a Marco Mattiacci, um recém-chegado sem experiência na F1, que permaneceu apenas uma temporada, conquistando dois pódios e um quarto lugar na classificação dos construtores. Maurizio Arrivabene então recrutou Sebastian Vettel com o objetivo de relançar a Scuderia, mas o alemão não conseguiu conquistar um quinto título em 2017-2018, perdendo para a Mercedes e Hamilton. Em 2019, Mattia Binotto, o antigo diretor técnico, assumiu o cargo. O seu mandato foi marcado pelo escândalo de batota nos motores em 2019, três vitórias em corridas e uma temporada 2020-2021 sem vitórias, apesar das esperanças de título de Charles Leclerc no início da temporada. Binotto deixou o cargo no final de 2022 e Frédéric Vasseur chegou com a missão de reconstruir a equipe. A recuperação começou com a vitória de Carlos Sainz em Cingapura e uma nova luta pelo segundo lugar na batalha dos construtores contra a Mercedes.

A história da McLaren está enraizada na lenda de Ron Dennis, que passou de diretor executivo em 1980 a CEO do grupo McLaren em 1985. Durante seu mandato, a equipe conquistou dez títulos de pilotos e sete títulos de construtores antes de sua saída em 2016, após o que Zak Brown assumiu o comando. A tarefa imediata de Brown era recuperar-se da parceria desastrosa com a Honda; a mudança para a Renault em 2018 foi seguida pela contratação de Andreas Seidl como diretor executivo para 2019. Seidl deixou a equipe em 2022 para dirigir a Sauber, e Andrea Stella, ex-responsável pela estratégia de corrida, foi promovido para ocupar a vaga.

O renascimento da Aston Martin remonta à aquisição da Force India por Lawrence Stroll em 2018, que a renomeou como Racing Point e, em 2021, relançou o emblema da Aston Martin. Otmar Szafnauer permaneceu como diretor da equipe, levando-a ao sétimo lugar na classificação dos construtores e ao seu primeiro pódio: o segundo lugar de Sebastian Vettel no Azerbaijão. Szafnauer deixou a equipe para ir para a Alpine antes de 2022, e o ex-engenheiro-chefe da BMW Sauber, Mike Krack, foi nomeado com um objetivo claro: ganhar o campeonato. Sob a liderança de Krack, a equipe obteve seu melhor resultado já registrado, um quinto lugar no campeonato de construtores em 2023, e conquistou oito pódios. A saga de instabilidade da Alpine começou quando a Renault retornou ao esporte em 2016, confiando a reconstrução a Cyril Abiteboul. A mudança de nome para Alpine em 2021 coincidiu com a saída de Abiteboul; Davide Brivio o substituiu por uma temporada antes de Otmar Szafnauer, recém-chegado da Aston Martin, assumir o cargo em 2022 e ocupá-lo desde então. As mudanças frequentes na liderança das equipes destacam o quanto a instabilidade na liderança pode tanto prejudicar quanto, às vezes, catalisar o desempenho no mundo altamente competitivo da Fórmula 1.

Uma onda de mudanças na liderança das equipes de Fórmula 1 está varrendo o mundo da F1, anunciando uma nova orientação estratégica para várias equipes que estão de olho em 2024 e além.

A agitada campanha de 2023 da Alpine resultou em uma reformulação decisiva durante o fim de semana do Grande Prêmio da Bélgica. A escuderia francesa demitiu seu diretor técnico James Szafnauer, bem como seus engenheiros de longa data Alan Permane e Pat Fry, e confiou as rédeas de seu projeto de F1 a Bruno Famin. Este último se comprometeu a injetar uma nova energia no programa para a próxima temporada.

Williams passa o bastão Desde a sua criação em 1977 até 2014, Sir Frank Williams dirigiu a equipe que levava o seu nome. Sua filha Claire assumiu o comando até a venda para a Dorilton Capital em 2020, que foi finalizada após o Grande Prêmio da Itália em Monza. A Dorilton nomeou Jost Capito para o cargo de diretor executivo no final do ano; sob sua liderança, que durou dois anos, a equipe caiu para o oitavo lugar em 2021 e para o décimo lugar em 2022, com o único destaque sendo o segundo lugar de George Russell no Grande Prêmio da Bélgica de 2021. Capito deixou a equipe na entressafra de 2022-23 e foi substituído pelo estrategista da Mercedes James Volwes. Volwes levou a Williams ao sétimo lugar na classificação de construtores em sua primeira temporada, e seu projeto de reconstrução continuará até 2024.

Franz Tost deixa a AlphaTauri Franz Tost era o único diretor executivo da AlphaTauri (antiga Toro Rosso) desde sua entrada em 2006. Ele supervisionou a vitória de Sebastian Vettel em Monza em 2008 e a de Pierre Gasly no mesmo circuito em 2020. Aos 67 anos, Tost anunciou no início de 2023 que se aposentaria no final da temporada. A equipe nomeou Laurent Mekies para sucedê-lo — o primeiro cargo de Mekies como diretor de equipe — e renomeou a AlphaTauri como “Racing Bulls” para 2024.

A Stake F1 se prepara para a chegada da Audi Peter Sauber fundou sua equipe homônima em 1993, beneficiando-se de uma parceria frutífera com a BMW e de uma vitória memorável de Robert Kubica no Grande Prêmio do Canadá de 2008, embora o título tenha permanecido fora de alcance. Sauber permaneceu à frente da equipe até 2012, quando vendeu parte de suas ações para Monisha Kaltenborn, a primeira mulher diretora de equipe no esporte, que liderou a equipe até meados de 2017. Frédéric Vasseur assumiu então as rédeas, guiando a equipe por um período que deveria culminar na chegada da Audi em 2026. Em vez disso, Vasseur partiu para ocupar um cargo de alto nível na Ferrari, e Alessandro Alunni Bravi assumiu a liderança da nova equipe Stake F1 Team, que se prepara para a estreia da Audi daqui a dois anos. Haas vira a página sem Günther Steiner Desde sua entrada em 2016, a Haas é sinônimo de Günther Steiner, o carismático diretor executivo que se tornou um dos favoritos dos fãs graças ao “Drive to Survive”. Apesar de ter ficado em quinto lugar no campeonato de construtores em 2018, a equipe estagnou na parte de trás do pelotão desde 2019, não marcando pontos em 2021 e terminando novamente em último lugar em 2023. Com o contrato de Steiner a chegar ao fim, Gene Haas decidiu não o renovar e nomeou Ayao Komatsu como novo chefe de equipa, abrindo assim um novo capítulo para a escudaria americana.