Retrospectiva das primeiras edições do Grande Prêmio de Las Vegas em 1981 e 1982

Retrospectiva das primeiras edições do Grande Prêmio de Las Vegas em 1981 e 1982
Crédito: FanF1

Em 1981 e 1982, Las Vegas sediou as duas últimas corridas da temporada de F1. Embora o campeonato ainda não tivesse sido decidido, a natureza do circuito, sua localização na cidade e o calor sufocante da “capital do jogo” fizeram com que o Grande Prêmio de Las Vegas desaparecesse do calendário, até hoje.

A F1 está prestes a regressar a Las Vegas na próxima semana, retomando assim o breve período em que a cidade acolheu o Grande Prémio em 1981 e 1982. A decisão de organizar uma corrida na “capital do jogo” foi tomada por Bernie Ecclestone, então ex-diretor da equipe Brabham e presidente da FOCA (Formula 1 Constructors' Association), que estava em desacordo com a FIA liderada pelo presidente francês Jean-Marie Balestre. Depois que o acordo Concorde concedeu à FOCA os direitos comerciais do esporte, Ecclestone, frequentemente apelidado de “o homem do dinheiro da Fórmula 1”, pressionou para aumentar a receita das equipes e garantir vários eventos nos Estados Unidos a cada temporada.

Durante a década de 1980, os Estados Unidos receberam Grandes Prêmios em Watkins Glen (Nova York), Long Beach (Califórnia), Dallas, Detroit e Las Vegas. O primeiro Grande Prêmio de Las Vegas aconteceu em 1981, servindo como a última corrida da temporada.

Las Vegas 1981: o confronto final pelo campeonato Ao se aproximar de Nevada, três pilotos ainda estavam na disputa: o argentino Carlos Reutemann (49 pontos), o brasileiro Nelson Piquet (48) e o francês Jacques Laffite (43). O circuito foi instalado no estacionamento do Caesars Palace, com 3,65 km e 14 curvas, e a corrida estava programada para 75 voltas.

Em 17 de outubro de 1981, Reutemann se classificou na pole position, Piquet largou em quarto e Laffite em décimo segundo. Sob um calor escaldante, o campeão mundial de 1980, Alan Jones, ao volante de uma Williams-Ford, conquistou a primeira vitória em Las Vegas após cerca de uma hora e quarenta e cinco minutos de corrida. Reutemann terminou em oitavo, Piquet em quinto e Laffite em sexto. Na época, o sistema de pontos recompensava apenas os seis primeiros (9-6-4-3-2-1) e não oferecia pontos extras pela volta mais rápida. O quinto lugar de Piquet permitiu que ele superasse Reutemann por apenas um ponto e conquistasse seu primeiro título mundial. Apesar do suspense e da satisfação de Ecclestone, o evento foi duramente criticado por seu traçado improvisado em um estacionamento e pelo calor sufocante do deserto. 1982: a segunda e, até agora, última edição No ano seguinte, Las Vegas encerrou novamente a temporada, que contou com 16 corridas em 1982. O circuito permaneceu inalterado, apesar das reclamações do ano anterior, e os pilotos continuaram a expressar seu descontentamento. O público caiu para apenas 30.000 espectadores durante o fim de semana, o número mais baixo de toda a temporada.

A final de 1982 foi marcada por uma disputa pelo título entre o finlandês Keke Rosberg (Williams-Ford) e o britânico John Watson (McLaren-Ford). Rosberg tinha nove pontos de vantagem; se ele não marcasse nenhum ponto e Watson vencesse, o britânico, que já havia vencido na Bélgica e em Detroit, conquistaria o campeonato.

O calor voltou a dominar o dia. Rosberg largou em sexto lugar, Watson em nono, e após 75 voltas, o italiano Michele Alboreto conquistou a vitória em um modesto Tyrrell, Watson terminou em segundo e Rosberg em quinto. Rosberg conquistou seu único campeonato de F1, terminando com cinco pontos de vantagem sobre Watson.

As críticas negativas ao traçado de Las Vegas fizeram com que a cidade não recebesse mais nenhum Grande Prêmio por 41 anos. O novo circuito pouco se parece com a versão da década de 1980, mas a temperatura continuará sendo um fator importante. Desta vez, a corrida será realizada à noite, em condições muito mais amenas para os 20 pilotos no grid de largada.