Regras da F1 relativas às cores e aos designs das equipas

Regras da F1 relativas às cores e aos designs das equipas
Crédito: FanF1

Os carros da equipe devem ser da mesma cor, o que os torna praticamente idênticos. Qual é a razão para essa exigência de uniformidade?

O rugido de um motor de Fórmula 1 não transmite apenas velocidade, mas também as mensagens das marcas. A cada fim de semana de corrida, o paddock se transforma em um imenso painel publicitário, com os dois carros de cada equipe exibindo as mesmas cores dos seus patrocinadores, o que permite que os fãs de todo o mundo os reconheçam instantaneamente. Essa coreografia comercial, no entanto, se baseia em um conjunto de regras que redefiniram a identidade visual desse esporte ao longo do século passado.

Código de cores regulamentar

O artigo 9.1 a) do regulamento desportivo da FIA estipula claramente que «os códigos de cores nacionais não se aplicam ao campeonato». Pelo contrário, os dois carros inscritos por uma equipa devem exibir a mesma pintura em cada prova, e qualquer alteração substancial deve ser aprovada pela FIA e pelo detentor dos direitos comerciais. As marcações obrigatórias incluem o nome e o número do piloto, o nome ou emblema da equipe (mínimo de 25 mm no nariz) e o número da competição na frente do carro e no capacete do piloto. Para facilitar a identificação na pista, a câmera embarcada do primeiro carro deve manter sua cor original, enquanto a caixa da câmera do segundo carro deve ser principalmente de cor amarela fluorescente. O nome do piloto também deve ser legível na parte externa do carro.

Paletas ditadas pelos patrocinadores

Enquanto as primeiras pinturas da Fórmula 1 refletiam as cores nacionais dos pilotos, a era moderna é dominada pelas marcas dos patrocinadores. A primeira ruptura notável ocorreu em 1968, quando a equipe Gunston pintou seu carro com as cores de seu patrocinador, um fabricante de cigarros, durante o Grande Prêmio da África do Sul. A Lotus seguiu o exemplo com o Lotus 49B de Graham Hill, vestido com as cores vermelho, dourado e branco da marca John Player “Gold Leaf”. À medida que o esporte evoluiu para se tornar uma plataforma de marketing, as equipes adotaram as cores de seus patrocinadores: o vermelho emblemático da Ferrari, o cinza prateado da Mercedes, o azul escuro da Red Bull e o azul-rosa da Alpine têm sua origem nas cores dos patrocinadores, e não nas bandeiras nacionais.

Origens históricas das combinações de cores clássicas

As Flechas de Prata – Em 1934, a FIA impôs um limite de peso de 750 kg. A Mercedes, então pintada de branco, excedia ligeiramente esse limite. Para perder os quilos em excesso, os mecânicos lixaram a pintura, expondo assim a carroçaria de alumínio. O acabamento “prateado” resultante permaneceu, dando origem ao lendário apelido de “Flechas de Prata”, uma escolha deliberada confirmada pelas memórias do piloto Von Brauchitsch. O vermelho Ferrari – A cor nacional da Itália era o vermelho, e a Ferrari adotou-a para a sua estreia na competição internacional. Embora o brasão italiano seja branco e verde, a cor escarlate tornou-se sinónimo da equipa de Maranello e perdura desde então.

Livres comemorativas e promocionais

As equipas utilizam frequentemente uma livre única para celebrar uma causa, uma parceria ou um evento da cultura pop. A Red Bull, por exemplo, transformou seus carros em pôsteres de cinema móveis: Star Wars em Mônaco em 2005, Superman em 2006 e James Bond em 2019. Em 2021, a equipe homenageou a Honda com uma pintura especial, reconhecendo assim a herança do fornecedor japonês de motores.

Designs incomuns e experimentais

Às vezes, uma equipe quebra a regra da uniformidade dos carros por motivos de marketing. Em 1986, a Marlboro pintou um McLaren de amarelo e branco para lançar um novo maço de cigarros, enquanto a Ligier encomendou um design personalizado para celebrar um final de temporada bem-sucedido. O episódio da BAR em 1999 talvez seja o mais marcante: a British American Tobacco, proprietária da equipe, queria pinturas distintas para suas marcas Lucky Strike (vermelha e branca) e 555 (azul). No entanto, a FIA rejeitou a proposta de pintura dupla, obrigando a equipe a manter um único design para o campeonato.

Enquanto a FIA reforçou as regras relativas à publicidade ao tabaco, as equipas de Fórmula 1 encontram formas cada vez mais criativas de manter as marcas relacionadas com a nicotina na grelha de partida. Depois que a entidade reguladora bloqueou uma pintura proposta, a McLaren, sob pressão de seu patrocinador, repensou as cores dos dois carros, dividindo o design de forma que cada lado exibisse uma cor e um logotipo de patrocinador diferentes, transformando assim o compromisso em uma mensagem visual distinta.

A publicidade de cigarros é proibida na F1 desde 2006, uma medida reforçada pela lei Evin da UE, mas a indústria continua a aparecer através de indícios subtis. A Ferrari, há muito ligada à Marlboro da Philip Morris, ainda faz alusão a essa parceria por meio de um motivo de código de barras e do logotipo “Mission Winnow”, um programa apresentado como uma iniciativa para reduzir o consumo de nicotina.

A relação entre a McLaren e a British American Tobacco (BAT) segue um cenário semelhante. Após assinar um acordo plurianual em 2022, a equipe lançou dois produtos da BAT que contornam a proibição: o Vuse, um cigarro eletrônico, e o Velo, um produto à base de nicotina para uso oral. Ambos são comercializados como alternativas de risco reduzido e posicionados de forma a escapar à supervisão da FIA, substituindo assim eficazmente as marcas tradicionais de tabaco por uma nova geração de promoções centradas na nicotina.