Raikkonen detém o recorde – os momentos mais marcantes da sua carreira, parte 2

Raikkonen detém o recorde – os momentos mais marcantes da sua carreira, parte 2
Crédito: FanF1

Este domingo, em Nürburgring, Kimi Räikkönen estabelecerá o recorde do maior número de largadas na Fórmula 1. Um programa especial destacará o “Iceman” e a segunda metade de sua carreira, de 2010 a 2020.

Quando Kimi Räikkönen trocou os pneus slick da Fórmula 1 pela terra batida do Campeonato Mundial de Ralis, poucos imaginavam que essa mudança iria despertar o apetite do piloto finlandês pelo degrau mais alto do pódio. Apoiado pela Citroën e pela Red Bull, sua estreia no WRC em 2010 foi difícil: em 13 provas, ele cruzou a linha de chegada oito vezes, conquistou pontos em cinco delas e terminou a temporada em décimo lugar, com 25 pontos. Um ano depois, a Citroën confiou-lhe o novíssimo DS3 WRC. Embora tenha disputado nove das doze etapas e tido um início mais regular, o resultado final foi o mesmo: décimo na classificação geral, agora com 34 pontos. Mas o apelo do Grande Prêmio era cada vez mais urgente. Após discussões no início de 2010, a oferta da Renault no final de 2011 abriu-lhe as portas para um lugar na Lotus em 2012. A antiga fábrica de Enstone, agora sob a bandeira da Lotus, recebeu o «Iceman» de volta à frente da grelha.

Sua primeira corrida em Melbourne terminou com um modesto 17º lugar nas qualificações, mas o finlandês rapidamente encontrou seu ritmo. Nas vinte etapas do calendário de 2012, ele só ficou fora dos pontos uma vez e terminou o ano em grande estilo com uma vitória espetacular em Abu Dhabi, conquistada apenas quinze dias depois de assinar um novo contrato para 2013. Essa vitória foi uma declaração: “Deixem-me em paz, eu sei o que estou fazendo”, disse ele ao seu engenheiro, um mantra que ressoou ao longo de toda a temporada. Räikkönen terminou em terceiro lugar no campeonato de pilotos, acumulando 207 pontos, mais do que o dobro dos 96 pontos de seu companheiro de equipe Romain Grosjean.

Essa dinâmica continuou em 2013. Uma aposta ousada nos pneus lhe rendeu a vitória na primeira corrida da temporada na Austrália, repetindo o sucesso de sua estreia em 2007. A partir daí, ele conquistou mais sete pódios, incluindo seis segundos lugares, e continuou sendo um verdadeiro candidato ao terceiro lugar final no pódio. A breve passagem de Räikkönen pelo rally, longe de ser acessória, provou ser um caldeirão que forjou um retorno digno de sua própria lenda.

O drama que pôs fim ao primeiro período de Kimi Räikkönen na Lotus teve menos a ver com o seu desempenho na pista do que com uma crise financeira que deixou o campeão finlandês sem salário. Mesmo um consórcio de resgate não conseguiu convencer o “Iceman” a ficar; a duas corridas do final da temporada de 2013, ele optou por sair e retornar à equipe que o coroou campeão mundial pela primeira vez: a Ferrari.

De 2014 a 2018, Räikkönen não era mais o vencedor que aparecia nas manchetes dos jornais, mas um pilar confiável da Scuderia. Ele voltou bem no momento em que a era dos motores V6 turbo híbridos estava começando, dividindo a garagem com o bicampeão Fernando Alonso. As novas regulamentações se mostraram difíceis de dominar: em 2014, ele teve dificuldades para se adaptar ao novo sistema de freios e terminou em 12º lugar com 55 pontos, muito atrás de Alonso, sexto colocado com 161 pontos.

A chegada de Sebastian Vettel em 2015 mudou a dinâmica da equipe. Räikkönen precisava marcar pontos e apoiar seu novo companheiro de equipe, que rapidamente conquistou três vitórias com o SF-15. O finlandês conseguiu um respeitável quarto lugar na classificação geral com 150 pontos, mas ainda assim ficou 128 pontos atrás de Vettel. Nas duas temporadas seguintes, a Ferrari ficou para trás das equipes dominantes Mercedes e Red Bull. Os melhores resultados de Räikkönen foram quatro pódios em 2016 e uma pole position em Mônaco em 2017, onde um erro estratégico permitiu que Vettel conquistasse a vitória. Em 2018, ele finalmente conseguiu se destacar novamente, conquistando a pole position em Monza diante dos tifosi e vencendo o Grande Prêmio dos Estados Unidos em Austin, superando Lewis Hamilton apesar dos pneus mais velhos. Mas a equipe já estava de olho na próxima geração: Charles Leclerc, recém-saído da Ferrari Driver Academy, era cotado para substituir Räikkönen em 2019.

O novo capítulo da carreira de Räikkönen o levou de volta à equipe que o lançou, agora renomeada Alfa Romeo. Em 2019, ao lado de Antonio Giovinazzi, também formado pela Academia, ele marcou pontos em seis das dez primeiras corridas, dando sinais de um retorno promissor. No entanto, o C38 foi prejudicado por um orçamento limitado, e o ponto alto da temporada – um quarto lugar no Brasil, atrás de Verstappen, Gasly e Sainz – acabou sendo o único ponto positivo. O ano de 2020 foi muito menos favorável. O carro sofreu com a falta de apoio aerodinâmico e um motor Ferrari defasado, o que permitiu a Räikkönen conquistar apenas um ponto no caótico Grande Prêmio da Toscana, em Mugello. Um acidente evitado por pouco em Monza (13º) destacou suas dificuldades e, no final da temporada, ele ocupava a 17ª posição na classificação dos pilotos, com apenas dois pontos, o pior resultado de sua carreira, contrastando fortemente com sua melhor classificação anterior, um 12º lugar em 2014 e 2019.

Apesar dessas estatísticas pouco animadoras, o finlandês de 41 anos não pendurou o capacete. Estão em andamento negociações para renovar seu contrato com a Alfa Romeo para 2021, o que lhe permitiria adicionar um novo capítulo a uma carreira que se estende por quase duas décadas e continua a desafiar as expectativas.