O Grande Prêmio do México volta neste fim de semana, logo após o Grande Prêmio dos Estados Unidos, oferecendo a oportunidade de relembrar os muitos momentos históricos que aconteceram no Autódromo Hermanos Rodríguez desde sua estreia em 1962.
O primeiro Grande Prêmio do México vencido por… dois pilotos
A primeira corrida de F1 no México teve um resultado totalmente único: uma vitória compartilhada. Embora o evento não fizesse parte do campeonato mundial daquele ano, o escocês Jim Clark conquistou a pole position ao volante de seu Lotus 25-Climax, mas foi vítima de um problema na bateria antes da largada. O carro não ligava sozinho, então os mecânicos tiveram que empurrá-lo para fazer o motor funcionar. Para aumentar o caos, a bandeira de largada foi baixada enquanto os comissários ainda estavam na pista. Os oficiais da corrida consideraram ilegal a largada empurrada e mostraram uma bandeira preta para Clark, enquanto o carro também começava a perder óleo e parecia improvável que terminasse a corrida.
Durante uma parada nos boxes de seu companheiro de equipe Trevor Taylor, Clark entrou no segundo Lotus e retomou a corrida. Essa manobra o fez cair para o terceiro lugar, atrás de Jack Brabham e Bruce McLaren, mas Clark iniciou uma impressionante recuperação, recuperando uma desvantagem de 57 segundos. Com mais de um terço da corrida restante, ele ultrapassou os dois líderes; McLaren abandonou devido a uma falha no motor e o carro de Brabham teve problemas técnicos. Clark então dirigiu sem problemas até a linha de chegada, garantindo a vitória. Como ele estava dirigindo o carro de seu companheiro de equipe, a vitória foi registrada como compartilhada entre Jim Clark e Trevor Taylor — a única vez na história da F1 em que uma vitória em um Grande Prêmio foi compartilhada entre dois pilotos.
1970: os fãs invadem o Grande Prêmio do México
O controle da multidão se tornou um verdadeiro quebra-cabeça para os organizadores do Grande Prêmio do México de 1970. Cerca de 200.000 espectadores se reuniram, e o evento quase foi cancelado antes mesmo do início da corrida. Em um momento memorável, Jackie Stewart e o herói local Pedro Rodríguez subiram na pista antes da largada para exortar a multidão a permanecer atrás das barreiras de segurança.
Durante a corrida, Stewart teve um infeliz encontro com um cão vadio, perdeu o controle do carro e por pouco não atingiu a área onde estavam os fãs. Jacky Ickx acabou vencendo a corrida, mas o clima caótico contribuiu para que a corrida fosse retirada do calendário no ano seguinte. Ela só voltaria em 1986.
O Grande Prêmio do México ausente por… 22 anos
De 1993 a 2015, o Grande Prêmio do México desapareceu do calendário da F1. A deterioração das condições da pista, o agravamento da poluição atmosférica e o crescimento rápido e instável da população na Cidade do México forçaram a retirada do esporte.
Rumores de um retorno começaram a circular em 2003, centrados em um projeto de circuito de US$ 70 milhões chamado “Mantarraya”, perto de Cancún. Em 2005, o governador de Quintana Roo anunciou um retorno em 2006, mas disputas fundiárias bloquearam o projeto. Após o Grande Prêmio dos Estados Unidos de 2006, Bernie Ecclestone anunciou um retorno em 2009, que acabou não se concretizando. Finalmente, em julho de 2014, Ecclestone confirmou um acordo de cinco anos para trazer a corrida de volta ao circuito Hermanos Rodríguez a partir da temporada de 2015. O alemão Nico Rosberg venceu o primeiro Grande Prêmio do México em 22 anos, pilotando um Mercedes até a vitória.
O Grande Prêmio do México de 2016, um dia para ser esquecido por Vettel
O Grande Prêmio do México de 2016 se transformou em um drama para Sebastian Vettel. Nas últimas voltas, ele estava envolvido em uma batalha acirrada com Max Verstappen e Daniel Ricciardo, ambos pilotos da Red Bull. Quando Vettel se aproximava de Verstappen pela terceira posição, o holandês cortou a primeira curva, o que levou Vettel a fazer um discurso colorido pelo rádio da equipe. Verstappen ignorou o protesto e continuou.
Ricciardo então tentou ultrapassar Vettel, mas o alemão transformou sua Ferrari em uma parede móvel, não dando chance ao australiano. Após a corrida, Vettel, sempre com seu estilo verbal característico, enviou uma mensagem particularmente animada ao diretor de corrida. Verstappen recebeu uma penalidade de tempo, levando Vettel ao pódio, mas Vettel recebeu sua própria penalidade, que deu o terceiro lugar a Ricciardo. Foi uma tarde que Vettel preferiria esquecer.