O triunfo de Max Verstappen no campeonato mundial nos leva a relembrar os pilotos holandeses que participaram da Fórmula 1, uma linhagem que remonta às primeiras temporadas desse esporte. A participação holandesa nos Grandes Prêmios começou logo nos primeiros anos do campeonato.
A história do automobilismo holandês na Fórmula 1 parece um longo prelúdio para os fogos de artifício que explodiram quando Max Verstappen irrompeu em cena. Aos 17 anos e 166 dias, o adolescente nascido na Bélgica tornou-se o piloto mais jovem a participar de um Grande Prêmio, estreando pela Toro Rosso na corrida australiana de 2015. Seis meses depois, agora pela Red Bull, ele conquistou a primeira vitória holandesa em Barcelona e, em 2021, somou mais dezenove vitórias ao seu palmarés antes de conquistar o título mundial em Abu Dhabi – o primeiro campeonato para a Holanda e a única participação do país entre as quinze nações que produziram um campeão mundial. No entanto, esse triunfo se baseia em uma herança discreta que remonta aos primórdios do esporte. Desde o primeiro campeonato mundial em 1950, quinze pilotos vestiram as cores laranja do reino em pelo menos um Grande Prêmio, tornando a Holanda a décima quinta nação a ver um de seus cidadãos coroado campeão mundial. Até à era Verstappen, a bandeira holandesa tinha conquistado apenas um título, partilhando esta modesta distinção com a Nova Zelândia, a África do Sul e o Canadá.
A aventura holandesa começou em 1952 em Zandvoort, quando Dries van der Lof e Jan Flinterman fizeram uma única aparição cada um. Van der Lof, num monolugar Hersham-Walton Motors, não conseguiu classificar-se, enquanto o Maserati de Flinterman, inscrito a título privado, terminou em nono lugar. Sete anos depois, Carel Godin de Beaufort inscreveu-se no campeonato, disputando finalmente 26 Grandes Prémios e tornando-se o primeiro piloto holandês a marcar pontos, quatro no total, ao volante dos seus próprios Porsche laranja. Os anos 60 ofereceram apenas uma breve aparição: Ben Pon tentou a sorte no Grande Prêmio nacional em 1962, mas abandonou após três voltas em um Porsche privado, encerrando uma carreira que nunca saiu do solo holandês. A década seguinte viu um ligeiro recrudescimento. Gijs Van Lennep estreou-se em 1971 e, em oito corridas até 1975, passou metade do tempo na Frank Williams Racing Cars. Roelef Wunderink e Johan Gerard Haijje fizeram três largadas cada um em 1975, ambos sofrendo duas desistências, enquanto a única participação de Michael Bleekemolen foi no Grande Prêmio dos Estados Unidos Leste de 1978 pela ATS, terminando com uma falha mecânica. O mais resistente do grupo da década de 1970 foi Jan Lammers, cuja carreira na F1 se estendeu de 1979 a 1992; seu melhor resultado foi um nono lugar no Grande Prêmio do Canadá de 1979 pela Shadow, e mais tarde ele entrou para a história das corridas de resistência com uma vitória em Le Mans em 1988.
A década de 1980 viu a chegada de um único piloto holandês, Huub Rothengatter, que correu de 1984 a 1986 pela Spirit, Osella e Zakspeed. Em 25 largadas, ele terminou apenas seis vezes, destacando as dificuldades enfrentadas pelos pilotos holandeses para se destacarem no meio da classificação.
Um novo capítulo se abriu em 1994, quando Jos Verstappen, pai do futuro campeão, largou no Grande Prêmio do Brasil pela Benetton, ao lado de Michael Schumacher. Ele conquistou os dois únicos pódios de sua carreira na Hungria e na Bélgica, antes de passar por uma série de equipes do meio do pelotão (Simtek, Footwork, Tyrrell, Stewart, Arrows e Minardi) até se aposentar em 2003. No início dos anos 2000, dois outros nomes holandeses apareceram no paddock. Robert Doornbos disputou onze corridas, três com a Red Bull em 2006 e oito com a Minardi no ano anterior. Christijan Albers correu de 2005 a 2007, marcando seu único ponto no Grande Prêmio dos Estados Unidos de 2005, após uma retirada em massa dos carros equipados com pneus Michelin, e depois passando para a Midland e a Spyker.
A breve passagem de Giedo van der Garde pela Caterham em 2013 permitiu-lhe qualificar-se duas vezes na Q2 em Mónaco e Spa, mas as suas ambições na F1 foram travadas quando a Sauber renegou um contrato para 2015, o que levou a um confronto nos tribunais. Todos esses esforços convergiram para o momento decisivo de 2015, quando Max Verstappen quebrou recordes e superou todas as expectativas. Sua ascensão meteórica transformou a Holanda, que passou de participante marginal a potência, com a bandeira laranja agora presente regularmente nos pódios de todo o mundo. A trajetória que levou o país de duas desistências após duas voltas na década de 1950 a um campeonato mundial em 2021 ilustra como os modestos começos de uma nação podem, graças à perseverança e a um talento singular, reescrever a história de um esporte.
Uma rápida olhada nos pilotos holandeses que participaram da Fórmula 1, classificados de acordo com o número de Grandes Prêmios em que participaram, conta a história da ascensão gradual de uma nação neste esporte. – Max Verstappen lidera a classificação com 141 participações em Grandes Prêmios. Ele estreou em 2015 e continua correndo. – Jos Verstappen vem em seguida, com 107 largadas entre 1994 e 2003. – Christijan Albers participou de 46 corridas entre 2005 e 2007. – Robert Doornbos participou em 11 Grandes Prémios durante as temporadas de 2005-2006. – Jan Lammers acumulou 23 participações entre 1979 e 1992. – Huub Rothengatter participou em 25 corridas entre 1984 e 1986. – Giedo van der Garde participou em 19 provas em 2013. – Gijs Van Lennep fez oito aparições entre 1971 e 1975. – Michael Bleekemolen fez uma única partida em 1978. – Johan Gerard Haijje correu três vezes em 1976-1977.
– Roelef Wunderink participou em três Grandes Prémios em 1975. – Ben Pon fez uma aparição em 1962. – Carel Godin de Beaufort disputou 26 corridas entre 1958 e 1964.
– Jan Flinterman e Dries van der Lof participaram cada um de uma única corrida de Grande Prêmio em 1952. Esses números ilustram a evolução desde as participações ocasionais no início da década de 1950 até a presença contínua do atual campeão.