Os pneus: um elemento crucial na rivalidade entre Hamilton e Verstappen

Os pneus: um elemento crucial na rivalidade entre Hamilton e Verstappen
Crédito: FanF1

O Grande Prêmio dos Estados Unidos demonstrou mais uma vez que uma estratégia inteligente em relação aos pneus pode ser o fator decisivo para vencer uma corrida e influenciar consideravelmente o resultado do campeonato.

Um campeonato mundial pode depender dos mínimos detalhes: uma ligeira derrapagem na largada, uma porca de roda recalcitrante nos boxes, uma faixa irregular atingida com demasiada violência. Depende também das estratégias elaboradas pelas equipas e da forma como elas contrariam os planos dos seus rivais.

O Grande Prêmio dos Estados Unidos, que aconteceu no domingo em Austin, é um exemplo perfeito disso. Depois de perder a liderança na largada para Lewis Hamilton, os estrategistas da Red Bull tiveram que encontrar uma maneira de colocar Max Verstappen à frente do piloto da Mercedes. A resposta estava na estratégia de pneus. Após dez voltas, a equipe da Red Bull optou por uma estratégia agressiva, trazendo o holandês para os boxes mais cedo. A Mercedes foi obrigada a copiar essa manobra três voltas depois, mas o mal já estava feito: Hamilton ficou atrás de Verstappen. A partir daí, a única chance de Hamilton recuperar a liderança era prolongar sua segunda parada o máximo possível, na esperança de que pneus mais novos após a última parada lhe dessem uma vantagem. Ele parou na volta 37, oito voltas após a segunda parada de Verstappen, retomando a corrida com quase nove segundos de atraso. Apesar de uma luta acirrada, o heptacampeão só conseguiu terminar a três segundos do vencedor. Mesmo com pneus mais novos, a aposta da Mercedes não deu certo. Dois pontos-chave se destacam. Primeiro, a Red Bull demonstrou uma notável calma ao executar um undercut que desequilibrou a Mercedes. Segundo, Verstappen administrou brilhantemente seus pneus, mantendo desempenho suficiente para repelir o ataque de Hamilton no final da corrida. Por que as equipes colocam os pneus no centro de sua estratégia?

Nesta temporada, a Pirelli fornece cinco compostos de pneus slicks, classificados de C1 (o mais duro) a C5 (o mais macio), dos quais três estão disponíveis em cada Grande Prêmio: macio (vermelho), médio (amarelo) e duro (branco). Os pilotos recebem 13 conjuntos por fim de semana — 2 duros, 3 médios e 8 macios —, além de pneus intermediários e pneus de chuva. Desde que a Pirelli se tornou a única fornecedora de pneus em 2011, os pneus voltaram a ser um elemento estratégico central. A regulamentação exigia pneus que aumentassem o suspense ao se desgastarem rapidamente, o que coincidiu com a introdução do DRS e do KERS avançado. Durante os testes de inverno, Fernando Alonso, então piloto da Ferrari, disse à agência EFE que os novos pneus “mudariam a face da corrida” e trariam “estratégias diferentes e mais paradas nos boxes”.

A Pirelli foi criticada por supostamente tornar as corridas menos emocionantes, já que os pilotos não podiam forçar os pneus ao máximo, bem como por falhas repentinas, como os furos em Silverstone em 2013 e 2020. As equipes precisam se adaptar a todos os compostos fornecidos pelo fabricante italiano em cada circuito, pois as corridas e até mesmo os campeonatos podem depender dessa escolha. Você se lembra do estouro do pneu dianteiro direito de Kimi Raikkonen na última volta em Nürburgring em 2005, que lhe custou a vitória, quando os pneus deveriam durar toda a corrida? Ou do Grande Prêmio da Hungria de 2019, onde Hamilton, que seguia Verstappen a dez voltas da chegada, parou para trocar os pneus, fez uma série de voltas mais rápidas e ultrapassou a Red Bull para conquistar uma vitória memorável. A Mercedes repetiu uma recuperação semelhante no Grande Prêmio da Espanha de 2021. Em Austin, no entanto, a equipe alemã não conseguiu repetir a fórmula, o que pode ser decisivo neste campeonato muito disputado.