Com a chegada de Gasly à Alpine para a temporada de 2023, a equipe alinha uma dupla de pilotos totalmente francesa, uma novidade na F1 desde 1994. Vamos relembrar algumas das duplas de pilotos franceses lendárias deste esporte.
Quando a Alpine anunciou que Pierre Gasly seria o companheiro de equipe de Esteban Ocon em 2023, essa decisão foi apresentada como uma renovação nacional: uma bandeira francesa hasteada acima de uma garagem francesa, dois compatriotas finalmente compartilhando o mesmo assento. Ela também marcou o último capítulo de uma história que começou há mais de sete décadas, quando a primeira dupla totalmente francesa a alinhar em um Grande Prêmio apareceu no grid de largada.
A primeira parceria desse tipo surgiu na primeira edição do campeonato mundial, com Maurice Trintignant e Robert Manzon ao volante de carros Gordini entre 1950 e 1953. Sua modesta colheita de 18 pontos deixava entrever um potencial que só se concretizaria plenamente durante a década de ouro do esporte, nos anos 1980.
Em 1980, a escuderia Ligier formou uma primeira linha inteiramente francesa: Jacques Laffite, pilar da equipe desde 1976, e o recém-chegado Didier Pironi, recém-saído da Tyrrell. Ao volante do elegante JS-11, eles fizeram da Ligier uma verdadeira concorrente. A vitória de Laffite em Hockenheim e a de Pironi em Zolder garantiram duas vitórias, enquanto a regularidade da dupla lhes rendeu o quarto e o quinto lugares no campeonato de pilotos. Seus esforços combinados permitiram à Ligier subir para o segundo lugar na classificação dos construtores, um recorde que a equipe francesa ainda hoje valoriza.
Um ano depois, a Renault associou o cerebral Alain Prost ao flamboyant René Arnoux. Prost, apelidado de “O Professor”, chegou para substituir Jean-Pierre Jabouille, enquanto Arnoux trouxe sua velocidade bruta. A dupla conquistou sete vitórias entre 1981 e 1982 e levou a Renault ao segundo lugar no campeonato de construtores. No entanto, a parceria entre os dois era tudo menos harmoniosa. No Grande Prêmio da França de 1982, as ordens da equipe exigiam que Arnoux deixasse Prost passar na corrida pelo título; Arnoux recusou, assumiu a liderança e conquistou a vitória. A repreensão pública de Prost ao seu companheiro de equipe destacou uma rivalidade que ainda hoje ressoa na lenda da F1. A dupla francesa mais espetacular surgiu em 1983, quando Arnoux mudou para a Ferrari e formou equipe com Patrick Tambay. Ao volante do F126 vermelho, eles conquistaram oito pole positions e quatro vitórias, dando à Scuderia seu primeiro campeonato de construtores desde o início dos anos 1970. Embora Nelson Piquet tenha conquistado o título de pilotos, Arnoux e Tambay terminaram em terceiro e quarto lugares, respectivamente, tornando essa temporada a mais bem-sucedida para uma dupla francesa na história do esporte.
As duplas francesas que se seguiram nunca alcançaram realmente esses patamares. Em 1989, Arnoux voltou à Ligier ao lado de Olivier Grouillard, conquistando apenas três pontos e um décimo terceiro lugar para a equipe. Em 1991, o reencontro de Prost com seu compatriota Jean Alesi na Ferrari rendeu 55 pontos e o terceiro lugar no campeonato de construtores, enquanto em 1994, Olivier Panis e Éric Bernard conquistaram 13 pontos e o sétimo lugar para a Ligier.
Hoje, com Gasly e Ocon novamente reunidos sob a bandeira da Alpine, os fãs franceses esperam ver esses momentos históricos se repetirem. Os dois pilotos começaram a carreira nas pistas de kart aos sete anos de idade, e sua rivalidade precoce aprimorou as habilidades que lhes renderam uma vaga na categoria rainha. Após estreias separadas (Ocon em 2016, Gasly em 2017), suas carreiras foram marcadas por promoções, rebaixamentos e uma primeira vitória para Gasly. A temporada de 2023 oferece a eles uma rara oportunidade de transformar sua rivalidade pessoal em ambição coletiva, escrevendo assim uma nova página na longa e às vezes conturbada saga dos companheiros de equipe franceses na Fórmula 1.