Durante o Grande Prêmio do México, brigas eclodiram entre os espectadores, e cenas como essas não têm lugar em recintos esportivos.
Podíamos passar sem isso. No domingo à noite, houve muitos agitadores. Primeiro em Marselha, onde os chamados adeptos atiraram pedras ao autocarro do Olympique Lyonnais e ficaram ofendidos ao ver uma bandeira francesa. Estes incidentes irritaram o treinador do Lyon e levaram ao cancelamento do jogo.
A milhares de quilômetros dali, no circuito de Cidade do México, o mesmo tipo de agitadores provocou uma briga nas arquibancadas. O confronto não foi transmitido pela televisão, mas as imagens são fáceis de encontrar no X (antigo Twitter): um homem com as cores da Ferrari bate várias vezes em outros torcedores antes que eles revidem. O motivo permanece obscuro, embora seja tentador culpar os torcedores insatisfeitos da Ferrari. Na primeira curva, Sergio Pérez bateu em Charles Leclerc após um erro de julgamento, eliminando o piloto local da corrida e decepcionando milhares de espectadores. É compreensível ficar chateado quando o seu piloto favorito abandona, especialmente em circunstâncias tão delicadas, mas atacar a primeira pessoa que se vê é imperdoável. O fã da Ferrari não teve nada a ver com a colisão, que foi culpa de Pérez. Mais uma vez, o desporto revela um dos seus lados mais sombrios, e isso é uma pena. As rivalidades podem existir, mas o respeito deve prevalecer. Atirar pedras, bater, ameaçar ou insultar outros fãs que compartilham a mesma paixão não adianta nada. Veja o exemplo da Copa do Mundo de Rúgbi: quase dois meses de competição e praticamente nenhum confronto entre torcedores, com exceção de um punhado de ingleses cujos hábitos de consumo de álcool às vezes saem do controle. Apenas alguns incidentes envolvendo árbitros foram relatados, e mesmo esses são demais. Quantos torcedores irlandeses compartilharam uma bebida com torcedores franceses ou de outras nações? Há um respeito mútuo, e é isso que amamos neste esporte. Mesmo que o rúgbi tenha tomado um rumo ruim nos últimos anos, ainda assim devemos seguir seu exemplo. Então, senhores — pois são principalmente homens que cometem essas infrações — parem com isso. Caso contrário, corremos o risco de ver estádios vazios como o Stade Vélodrome em Marselha, com jogos a portas fechadas. Se o OM não for severamente punido, em breve perderemos todo o senso de ordem. Esses desordeiros deveriam ser proibidos de assistir a qualquer evento esportivo pelo resto da vida e sujeitos a severas sanções legais. Vamos garantir que a Fórmula 1 continue sendo um esporte nobre, mesmo que estejamos cada vez mais tentados a tirar uma soneca nos dias de Grande Prêmio.