O que a última revolução técnica na F1 significa para os resultados

O que a última revolução técnica na F1 significa para os resultados
Crédito: FanF1

A temporada de 2022 marca o início de uma nova era para a Fórmula 1, com o retorno do efeito solo e a padronização das peças para manter os carros agrupados. Uma mudança semelhante ocorreu em 2009, trazendo consigo uma série de consequências.

Se analisarmos a história da Fórmula 1, verificamos que a tensão entre espetáculo e custos sempre esteve presente. No final da década de 2000, este desporto tinha acabado de sair da era dominante da parceria Schumacher-Ferrari. Desde 2006, já tinham sido tomadas uma série de medidas: pneus mais eficientes e aerodinâmica reduzida, com o objetivo de suscitar mais disputas na pista.

A mudança radical nos regulamentos de 2009 finalmente encerrou o capítulo da geração de carros de corrida que havia começado em 1998, pondo fim, pelo menos temporariamente, à longa rivalidade entre McLaren e Ferrari.

Os carros de 2009 seguem a mesma linha dos de 2022

Há treze anos, a aparência dos carros de alto nível foi revolucionada: spoilers dianteiros mais baixos e largos, spoilers traseiros de forma oposta e o retorno dos pneus slick, que haviam desaparecido após 1997.

Enquanto os carros de 2008 ainda exibiam “chifres” nas laterais, os carros de 2009 apresentavam uma silhueta elegante que encantava os fãs. Tudo isso visava reduzir a força de apoio e, consequentemente, as turbulências aerodinâmicas, ao mesmo tempo em que reduzia os custos e diminuía a diferença de desempenho entre as equipes. Deste ponto de vista, a fórmula de 2009 partilha o mesmo espírito das regras que serão introduzidas nesta temporada. Isso funcionou até certo ponto: as potências habituais, em particular a Ferrari e a McLaren, já não tinham a garantia de subir ao pódio. Os contrastes visuais e técnicos eram impressionantes. Veja-se os narizes ultrafinos da Red Bull e da Toro Rosso no início da temporada, em comparação com os narizes mais largos e elevados da BMW ou da Renault. Este ano, poderemos novamente observar diferenças notáveis ao nível dos spoilers dianteiros, capôs do motor, radiadores, defletores laterais, narizes, etc. A antiga hierarquia foi abalada: a Brawn GP assumiu a liderança desde o início, primeiro seguida de perto pela Toyota e depois alcançada pela Red Bull. Uma nova era estava a começar e o objetivo de abalar a ordem estabelecida e reduzir as despesas foi alcançado… mesmo que isso não tenha impedido a BMW e a Toyota de se retirarem.

As regras de 2022: uma garantia de sucesso?

Na época, o maior quebra-cabeças da FIA era o difusor duplo, uma invenção engenhosa da Brawn GP que lhe conferia uma vantagem considerável.

A nova era técnica foi concebida para não deixar nenhuma área obscura que possa ser explorada. Será que as dez equipes acabarão por ter um nível de desempenho semelhante? Em teoria, sim, graças a uma maior proporção de componentes padronizados (como bombas de combustível e tubos). O reforço do controlo do design elimina muitas lacunas.

No entanto, os projetistas continuam à procura da menor falha. É importante notar que os regulamentos de 2022 são os primeiros a visar especificamente os fluxos aerodinâmicos. Os dados dos testes em túnel de vento sugerem que o conceito deve funcionar perfeitamente, mas a pressão para garantir o espetáculo na pista significa que os primeiros testes em Barcelona serão acompanhados de perto. O que acontecerá se surgirem problemas? O que acontecerá se os testes em grande escala revelarem uma falha no regulamento? Estas questões surgem a poucos dias do início dos testes. Vários cenários são possíveis: – uma equipe descobre uma falha “milagrosa” que lhe confere uma vantagem considerável, tornando as reformas desnecessárias; – tudo funciona como previsto e assistimos a uma repetição de 2012, com quase todo o grid de largada na disputa pela vitória; – ou as diferenças de desempenho são enormes, o que obriga a uma nova reformulação.

Ainda assim, há motivos para otimismo, considerando os debates aprofundados, os compromissos e o trabalho de engenharia que moldaram esta nova era. Se a hierarquia for alterada, quem ocupará o primeiro lugar: McLaren, Alfa Romeo, Ferrari? Impossível dizer por enquanto. O primeiro veredicto será dado durante os testes de inverno em Barcelona, previstos para 23 a 25 de fevereiro.