O Grande Prêmio da China é a milésima corrida da história da Fórmula 1. Para comemorar esse evento, cada redator da FanF1 convida você a revisitar seu Grande Prêmio mais memorável.
A marca de mil corridas transformou o habitual resumo corrida a corrida em algo mais íntimo: um olhar sobre os momentos que inicialmente seduziram os redatores da FanF1 para este desporto. As suas memórias, tão variadas quanto os próprios circuitos, revelam como um único Grande Prémio pode tornar-se um acontecimento marcante nas suas vidas.
Axel Brémond lembra-se do Grande Prémio de Portugal de 1995 em Estoril, não pelo vencedor, mas pelo espetacular acidente ocorrido na linha de partida, que lançou o Tyrrell de Ukyo Katayama por cima do pelotão e sobre o telhado. O acidente obrigou o piloto japonês a abandonar a segunda largada, lembrando uma época em que as equipes ainda mantinham um carro reserva à espera. Para Brémond, a verdadeira importância da corrida apareceu mais tarde, quando David Coulthard, então adolescente, conquistou a vitória ao volante de sua Williams. Foi a primeira corrida de Fórmula 1 que Brémond assistiu, com seu entusiasmo alimentado por inúmeras horas passadas no Super Nintendo, enfrentando seu irmão no Grand Prix com o McLaren MP4/7A de Michael Andretti contra o Williams FW14 de Nigel Mansell. Hoje, depois de assistir a quase metade de todos os Grandes Prêmios da história, seja em sua sala de estar ou nos paddocks, ele ainda sente a mesma emoção cada vez que um motor ruge. A virada para Romain Mathon aconteceu no Grande Prêmio de San Marino de 2005, em Imola, a 735ª corrida do calendário. A terceira vitória de Fernando Alonso foi conquistada com uma diferença mínima de dois décimos de segundo, com o espanhol resistindo a um ataque tardio de Michael Schumacher, que largou em décimo terceiro lugar ao volante de sua Ferrari. Este duelo simbolizou a competição acirrada da temporada de 2005, um ano em que o motor RS25 V10 da Renault dominou e garantiu os títulos mundiais de pilotos e construtores para a escuderia francesa.
A lembrança mais marcante de Alexandre Lepère é o Grande Prêmio do Brasil de 2008 em Interlagos, a 803ª corrida, um confronto entre Felipe Massa e Lewis Hamilton que ainda o assombra até hoje. Com um amigo, ele assistiu ao drama se desenrolar na TF1, com a chuva transformando o circuito em um campo de batalha escorregadio. Logo na primeira volta, o Red Bull de David Coulthard sofreu um acidente em seu último Grande Prêmio, enquanto a luta pelo título se intensificava a cada volta. Quando Vettel ultrapassou Hamilton a duas voltas do final, os dois pilotos acreditaram que o campeonato estava decidido, mas Hamilton acabou cruzando a linha de chegada em quinto lugar, o que foi suficiente para conquistar o título, enquanto a Toyota, em dificuldades no final da corrida, cruzou a linha de chegada sem que ninguém percebesse. O momento emocionante, com Massa em lágrimas no pódio, deixou uma impressão duradoura sobre o caráter imprevisível e emocionante desse esporte. Charline Menant, que faz parte da nova geração de fãs, viveu seu momento decisivo durante o Grande Prêmio do Japão de 2014 em Suzuka, a 912ª corrida. Chuvas fortes já haviam obrigado os organizadores a considerar o adiamento do evento, mas a corrida acabou sendo realizada sob o regime do carro de segurança. O aquaplaning atrapalhou os pilotos e a sessão foi marcada por bandeiras vermelhas. O incidente que mais marcou Charline Menant foi a saída de pista de Adrian Sutil na 41ª volta, seguida três voltas depois pela entrada dos carros médicos e de segurança. A transmissão então se concentrou em um nome que se tornaria sinônimo de tragédia: Jules Bianchi. Embora o acidente tenha envolvido um veículo de resgate e não um concorrente, ele prenunciava o acidente fatal que custaria a vida de Bianchi um ano depois. Essas lembranças pessoais, cada uma ligada a um Grande Prêmio específico, ilustram como a história desse esporte não se resume a estatísticas, mas a momentos que despertam uma paixão para toda a vida. A lembrança de três corridas ainda assombra e encanta os fãs, cada uma delas sendo um instantâneo de como esse esporte pode passar do perigo à poesia. O primeiro flashback nos leva de volta a Interlagos, em 13 de novembro de 2016, para o 955º Grande Prêmio. Com o campeonato pendurado por um fio, Nico Rosberg poderia conquistar o título no Brasil, enquanto Lewis Hamilton esperava manter suas chances intactas para um confronto final em Abu Dhabi. A torcida brasileira aplaudia Felipe Massa, que se despedia antes de assinar uma extensão de um ano após a saída de Valtteri Bottas para a Mercedes. A chuva transformou o circuito em um campo de batalha escorregadio; após sete voltas atrás do carro de segurança, a corrida finalmente recomeçou. Max Verstappen, imperturbável apesar do dilúvio, mergulhou por dentro de Kimi Räikkönen na primeira curva e partiu para uma ousada investida. Uma parada nos boxes mal calculada o fez cair para o 16º lugar na 44ª volta, mas o holandês reagiu com uma perseguição implacável, ultrapassando todo o pelotão para finalmente conquistar o terceiro lugar. Seu domínio das condições molhadas deixou o paddock e os telespectadores sem palavras. Dois anos depois, o Grande Prêmio dos Estados Unidos no Circuito das Américas se tornou um momento marcante para outro fã. A 994ª corrida da história ofereceu poucas ultrapassagens, mas foi rica em emoções. A temporada da Ferrari estava a desmoronar-se e o título estava a escapar-lhe, mas Kimi Räikkönen, após uma década sem vitórias, subiu à liderança, lutando contra Max Verstappen e Lewis Hamilton e adiando o inevitável triunfo da Mercedes. O que tornou essa corrida inesquecível não foi o resultado, mas a experiência compartilhada: uma sala cheia com um pai, um irmão e um melhor amigo, todos gritando diante dos erros estratégicos, aplaudindo cada ultrapassagem ousada e sentindo o espírito comunitário desse esporte.
A primeira lembrança remonta a junho de 2005, quando um fã de 16 anos assistiu ao Grande Prêmio dos Estados Unidos no Indianapolis Motor Speedway, a 740ª corrida já realizada. O evento se transformou em um caso de estudo sobre política de pneus: os carros equipados com pneus Michelin não conseguiam sobreviver às curvas inclinadas da pista, o que levou a uma retirada espetacular que deixou apenas seis carros equipados com pneus Bridgestone no grid de largada. Em meio à interferência de uma pequena antena de televisão, o fã assistiu a uma largada surreal e a uma corrida enfadonha que terminou com a vitória de Michael Schumacher. Este episódio destacou o quanto as disputas técnicas podem perturbar todo um Grande Prêmio. Esses três momentos ecoam uma verdade que nos faz refletir, expressa pela primeira vez após um Grande Prêmio recente: apesar dos avanços incessantes em matéria de segurança, o espectro do perigo nunca desaparece completamente. A homenagem prestada pela Ferrari no Twitter — “Sempre em nossos corações. #CiaoJules #JB17”, nos lembra que cada triunfo na pista é ofuscado pelos riscos inerentes a esse esporte. Em retrospecto, a Michelin acabou reembolsando os ingressos dos fãs americanos que deixaram o Grande Prêmio de Indianápolis de 2005 decepcionados, acostumados que estavam com as ultrapassagens incessantes da NASCAR. O fiasco em torno da Michelin e da corrida estava longe de ser uma celebração da qualidade francesa. Com apenas dezesseis anos, a marca já estava ansiosa para exibir orgulhosamente suas cores nacionais. Este episódio da história da Fórmula 1 nos lembra que este esporte é uma prova extrema, tanto para os pilotos quanto para a tecnologia que os impulsiona.
2005 USGP – Indianápolis. <a href="https://twitter.com/hashtag/F1?src=hash&refsrc=twsrc%5Etfw”>#F1 pic.twitter.com/RYozVtB1bJ
— F1 Images (@F1Images) <a href="https://twitter.com/F1Images/status/1053688271694376960?refsrc=twsrc%5Etfw”>20 de outubro de 2018