Embora tenha conquistado três títulos mundiais como piloto, Niki Lauda também construiu uma reputação de gênio nos boxes.
Seu palmarés fala por si. Seja ao volante, à frente de uma equipe ou como diretor não executivo, Niki Lauda deixou uma marca indelével no mundo do automobilismo.
Começo difícil
O austríaco frequentemente expressava seu cansaço em relação ao esporte, mas nunca conseguiu se afastar completamente dele. Em 1982, depois de declarar que estava «cansado de andar em círculos», regressou à grelha de partida. Sete anos após a sua segunda reforma, em 1985, Lauda foi convidado pelo presidente da Scuderia, Luca di Montezemolo, para regressar ao paddock como consultor.
«Tínhamos de recomeçar do zero e tentei basear-me nos valores que tinham caracterizado a minha primeira experiência: inovação, organização, ética de trabalho, determinação e vontade de vencer», recorda di Montezemolo. A avaliação do italiano revelou-se acertada. Lauda, sempre curioso e perspicaz, convenceu Jean Todt a contratá-lo para a Ferrari. Essa parceria revelou-se frutífera: sob a direção de Todt, a Scuderia recuperou a glória de outrora, conquistando cinco títulos mundiais de pilotos com Michael Schumacher e seis títulos mundiais de construtores.
Um período pouco glorioso
Após quatro anos em Maranello, Lauda deixou algumas marcas, fechou a porta mais uma vez e trabalhou como consultor para a televisão alemã e austríaca antes de se lançar em um novo retorno.
Em 2001, ele se juntou à equipe Jaguar, que estava longe de liderar a classificação: terminou em nono lugar no campeonato, longe das ambições esperadas de pódio. Os problemas internos e a pressão exercida pelo fornecedor de motores Ford agravaram as dificuldades. Alguns comentaristas, como o jornalista britânico Nigel Roebuck, estavam céticos: “Isso é uma piada. O que Niki Lauda sabe sobre a gestão de uma equipe de corrida?” No entanto, a temporada mostrou sinais de progresso. No ano seguinte, as dificuldades da Jaguar continuaram e a Ford, cada vez mais impaciente, começou a reduzir seu quadro de funcionários, incluindo o “computador” e outras 36 pessoas, entre elas Günther Steiner. Em 2003, Lauda lançou uma companhia aérea, a FlyNiki, que ele vendeu em 2011 antes de se lançar em um novo desafio.
Seis coroas
Como indicado, Lauda não conseguiu ficar muito tempo longe da F1. Em 2012, tornou-se presidente não executivo da Mercedes, demonstrando mais uma vez o seu talento para identificar oportunidades. Frustrado com os problemas de confiabilidade da McLaren naquela temporada, Lewis Hamilton foi abordado por Lauda, que o convenceu por meio de uma série de reuniões e telefonemas. “Se você ficar na McLaren para sempre, tudo bem, mas onde está o desafio na sua vida? Eu mudei de equipe várias vezes, e quem faz isso nunca fica entediado. Se você pudesse ser campeão mundial com a Mercedes, uma equipe de fábrica, imagina o que isso significaria para a sua imagem?”, perguntou Lauda. Essa mudança valeu a pena. 2013 foi um ano de adaptação e, com a chegada dos motores híbridos, a Mercedes começou a dominar, em grande parte graças a Hamilton. O britânico conquistou cinco títulos de piloto, Nico Rosberg acrescentou mais um, e a equipe conquistou seis campeonatos de construtores. Sob a liderança de Toto Wolff, a Mercedes está no topo do esporte, uma dinastia construída em parte graças à capacidade de Lauda de recrutar um dos melhores pilotos do mundo.