Nico Rosberg finalmente conquistou o campeonato mundial de Fórmula 1, 34 anos depois de seu pai Keke, em 1982, tornando-se assim o segundo filho de um campeão, depois de Damon Hill, que seguiu os passos de seu pai Graham em 1996, a conquistar o título.
Foram necessárias 206 largadas em Grandes Prêmios e onze temporadas para Nico Rosberg finalmente conquistar o campeonato mundial de Fórmula 1. Ele assim se juntou ao seu pai, Keke Rosberg, campeão da Williams em 1982, como vencedor de segunda geração. Apenas um outro filho seguiu os passos do pai campeão: Damon Hill, que conquistou o título em 1996, após os dois títulos de Graham Hill em 1962 e 1968. Estreia promissora na F1 com a Williams
Rosberg estreou-se no desporto em 2006 com a Williams, equipada com um motor Cosworth. Embora o chassi britânico estivesse longe de ser o mais avançado, ele ainda assim se destacou ao marcar pontos duas vezes e realizar a volta mais rápida em sua primeira corrida no Bahrein, um feito que apenas Jacques Villeneuve havia conseguido antes, em 1996. Recém-saído do campeonato GP2, Rosberg juntou-se à equipa que tinha permitido ao seu pai conquistar um título, apesar de a Williams estar a atravessar um período difícil. No entanto, esta experiência permitiu-lhe progredir ao seu ritmo e ganhar a confiança de Frank Williams. Em 2007, ele se tornou mais consistente, terminando sete vezes na zona de pontuação e superando seu experiente companheiro de equipe Alexander Wurz. No ano seguinte, ele conquistou seu primeiro pódio no Grande Prêmio da Austrália, que abriu a temporada, e depois um segundo em Cingapura, onde lutou pela vitória até as últimas voltas. No geral, porém, seu desempenho não correspondeu às expectativas e sua última temporada com a Williams não lhe permitiu subir ao pódio. O difusor duplo do FW31 mais tarde permitiria a Jenson Button e à Brawn GP obterem sucesso, mas Rosberg nunca teve a oportunidade de tirar proveito disso.
A escolha acertada de se juntar à Mercedes Embora a McLaren tenha manifestado interesse, Rosberg optou por se juntar à nova equipa Mercedes, campeã em título sob a bandeira da Brawn GP com Jenson Button ao volante. A sua transferência coincidiu com o regresso de Michael Schumacher, que se tornou seu companheiro de equipa em Brackley.
No início, Rosberg teve dificuldade em impressionar o heptacampeão, mas com o tempo aprendeu a respeitar Schumacher e sentiu-se à vontade na Mercedes. Num carro que ainda estava atrás dos líderes, o jovem alemão conseguiu subir três vezes ao pódio e marcou o dobro dos pontos do seu companheiro de equipa mais experiente.
Começando a temporada de 2011 com grandes esperanças, Rosberg voltou a ter dificuldades com um carro que não se adequava ao seu estilo, não conseguindo subir ao pódio e terminando em sétimo lugar no campeonato, com treze pontos de vantagem sobre Schumacher.
Primeira pole position e primeira vitória A Mercedes se recuperou em 2012, com um carro bem projetado. Já na terceira corrida da temporada, o Grande Prêmio da China, Rosberg conquistou sua primeira pole position, com Schumacher completando a primeira linha da Mercedes. No dia seguinte, Rosberg transformou sua pole position na primeira vitória de sua carreira, permanecendo intocável durante toda a corrida.
O resto da temporada foi menos espetacular, mas o desempenho geral da Mercedes anunciou sua emergência como futura candidata ao título. No final do ano, Schumacher anunciou sua aposentadoria definitiva, abrindo caminho para Lewis Hamilton assumir seu lugar. Hamilton e Rosberg se conheciam há muito tempo, desde as categorias juniores, mas sua nova parceria logo colocaria sua amizade à prova. Uma rivalidade intensa com Lewis Hamilton
Em 2013, Hamilton teve dificuldades para encontrar seu ritmo em um carro no qual Rosberg se sentia à vontade. O alemão aproveitou a oportunidade para conquistar vitórias em Mônaco, a cidade onde cresceu, e na Grã-Bretanha, o país natal de Hamilton. Hamilton ainda conseguiu vencer na Hungria e, graças à sua regularidade, terminou o campeonato à frente de Rosberg (189 pontos contra 171). Esse foi o primeiro sinal evidente da rivalidade feroz que dominaria as temporadas seguintes. A temporada de 2014 viu a Mercedes se tornar praticamente imbatível. Rosberg e Hamilton dividiram as vitórias ao longo do ano e se enfrentaram várias vezes na pista, especialmente no Grande Prêmio de abertura em Bahrein, onde seu duelo roda a roda continua sendo uma das batalhas mais espetaculares do esporte.
Por trás dos capacetes, a saga da Mercedes de 2014 a 2016 foi menos uma questão de mecânica e mais uma questão de dois pilotos envolvidos em um duelo psicológico que redefiniu sua parceria. A tensão atingiu seu auge em Spa-Francorchamps, onde a manobra agressiva de Nico Rosberg forçou Lewis Hamilton a sair da pista. Os comissários consideraram Rosberg responsável pelo incidente, o que criou um clima de desconfiança que perduraria ao longo da temporada. Hamilton acabou por vencer o campeonato, conquistando o seu segundo título mundial depois de a corrida de Rosberg ter terminado abruptamente devido a uma avaria mecânica. No ano seguinte, Hamilton continuou a dominar, conquistando o título com quatro corridas de antecedência, enquanto Rosberg lutava para acompanhar o ritmo do seu companheiro de equipa. Mas o alemão aproveitou o final de temporada tranquilo para recuperar a confiança, encadeando uma série de vitórias que o levaram de volta ao pódio, e terminou em segundo lugar pelo segundo ano consecutivo. Em 2015, Rosberg surfou em uma onda de sucesso precoce, vencendo os quatro primeiros Grandes Prêmios. Hamilton, por sua vez, enfrentou problemas recorrentes de confiabilidade que permitiram que seu companheiro de equipe assumisse a liderança na classificação. O britânico finalmente conseguiu se recuperar, pressionando Rosberg e reacendendo a rivalidade entre os dois pilotos. Duas colisões muito divulgadas pela mídia destacaram a crescente animosidade entre os dois: no Grande Prêmio da Espanha, em Barcelona, Hamilton bateu em Rosberg na primeira volta e abandonou seu carro na brita; mais tarde, no Grande Prêmio da Áustria, o contato entre Rosberg e Hamilton na última volta deu a vitória ao inglês.
A luta pelo campeonato intensificou-se ao longo da temporada, com Rosberg liderando por doze pontos na aproximação da final. Durante uma corrida tensa, o companheiro de equipe de Hamilton, que estava na liderança, pareceu tentar forçar Rosberg a cometer um erro. No final, Rosberg manteve a calma, garantiu a vitória e conquistou seu primeiro título mundial de Fórmula 1. Sua vantagem de cinco pontos sobre Hamilton refletia a que seu pai, Keke Rosberg, teve para conquistar o campeonato em 1982, adicionando uma nota poética ao tão esperado triunfo do alemão.