Você provavelmente já ouviu muitos preconceitos sobre a F1 e talvez até tenha alguns. Alguns são simplesmente falsos, enquanto outros contêm uma parte de verdade.
Por trás do espetáculo fastuoso da Fórmula 1 esconde-se uma escala financeira íngreme que apenas os mais ricos podem escalar, bem como uma pegada de carbono que obriga este desporto a enfrentar o seu próprio impacto. Toto Wolff apresentou o custo em números brutos: um talento prodigioso deve primeiro gastar cerca de 1 milhão de euros em karting antes de passar para as categorias juniores. Uma temporada completa na Fórmula Renault ou na Fórmula 4 acrescenta cerca de 350 000 euros, seguidos de 650 000 euros por um ano na F3. Após duas campanhas na F3, o total atinge 2,7 milhões de euros, e uma passagem pela GP2 (hoje F2) custa mais 1,5 milhões de euros. Quando um piloto está pronto para entrar na categoria rainha, a conta sobe para 7-8 milhões de euros, dos quais 2-3 milhões são frequentemente necessários apenas para conseguir um volante. Este obstáculo financeiro alterou a composição dos pilotos. Pilotos como Lance Stroll e Nikita Mazepin entraram no grid de largada graças ao considerável apoio financeiro de suas famílias, enquanto lendas como Lewis Hamilton e Esteban Ocon provaram que o talento bruto ainda pode prevalecer, o primeiro tendo sido descoberto aos 12 anos por Ron Dennis e assinado um contrato de longo prazo com a Mercedes.
A pegada ambiental deste desporto é igualmente complexa. Embora os motores híbridos sejam mais limpos do que os seus antecessores, a maior parte das emissões da Fórmula 1, cerca de 260 000 toneladas de CO₂ por ano, provém da logística necessária para transportar carros, equipamento e pessoal por todo o mundo. A série se comprometeu a atingir a neutralidade de carbono até 2030, com base em energias renováveis e sistemas inovadores de captura de CO₂. Apesar disso, seu impacto é insignificante em comparação com eventos como a Copa do Mundo de 2010 na África do Sul, que gerou cerca de 2,8 milhões de toneladas de carbono, principalmente devido às viagens dos torcedores.
Os críticos que consideram o campeonato “chato” devido aos seus períodos de domínio ignoram seu caráter intrinsecamente espetacular. Desde a sua criação, 33 pilotos conquistaram o título, 767 participaram de um Grande Prêmio e 110 subiram ao degrau mais alto do pódio, prova de que ainda é possível vencer uma corrida mesmo largando do fundo do grid. A igualdade de gênero continua sendo outro problema não resolvido. Apenas cinco mulheres participaram de um Grande Prêmio de Fórmula 1, e a representação feminina nas equipes é modesta. No entanto, esse esporte não é estritamente reservado aos homens; personalidades como a ex-diretora de equipe Claire Williams e a atual executiva da Mercedes Monisha Katelborn mostram que as mulheres podem alcançar os mais altos escalões da gestão. Na prática, porém, os obstáculos persistem, tornando a Fórmula 1 um campo onde a inclusão ainda está em andamento.