McLaren e Alonso: eu te amo, eu não te amo

McLaren e Alonso: eu te amo, eu não te amo
Crédito: FanF1

Fernando Alonso volta à McLaren: o que parecia improvável há alguns meses atrás é agora uma realidade. Aqui está uma análise do retorno oportunista do espanhol diante de seus rivais mais temíveis.

Fernando Alonso é frequentemente considerado o piloto mais talentoso da sua geração, mas o seu palmarés não está totalmente à altura dessa reputação. Com cerca de trinta vitórias em Grandes Prémios e apenas dois títulos mundiais, ele é superado por Sebastian Vettel, que conta com quatro títulos e uma série de vitórias recentes.

A carreira do espanhol foi marcada por uma série de decisões confusas que nem sempre deram frutos. Apoiado desde o início pela Renault e Flavio Briatore, Alonso atingiu o auge entre 2002 e 2006, quando conquistou seus dois campeonatos. Em busca de um novo desafio, ele assinou um contrato plurianual com a McLaren — lembrando que os contratos muitas vezes são apenas papel — e rapidamente se viu testando os limites desse acordo. Em 2007, seu status de bicampeão e seu estilo de liderança assertivo entraram em conflito com as personalidades fortes da McLaren: o chefe da equipe, Ron Dennis, e o novato Lewis Hamilton. A rivalidade com Hamilton rapidamente se intensificou enquanto eles disputavam o título, enquanto a tensão com Dennis era mais sutil. Dennis, um homem avesso a escândalos, tentou frear o “Touro das Astúrias”, mas acabou se envolvendo no infame caso “Spygate”, no qual Alonso desempenhou um papel central ao denunciar a espionagem da McLaren enquanto se protegia. Esse episódio estabeleceu um padrão que se repetiria. Alonso pressionou a Renault durante a controvérsia do “crashgate” — um caso em que muitos ainda duvidam de sua inocência — e depois exerceu uma pressão psicológica semelhante sobre os dirigentes e engenheiros da Ferrari, repreendendo-os publicamente em várias ocasiões. No entanto, em todas as vezes, suas táticas não surtiram o efeito desejado.

Não se sabe exatamente o que resta hoje da relação entre Alonso e Dennis, mas o comportamento recente deles sugere que as antigas animosidades se dissiparam. Dennis talvez tenha sido a única pessoa que realmente enfrentou o espanhol, que muitas vezes prefere se afastar a travar uma batalha perdida. A reputação de Alonso, conhecido por ser duro com sua equipe, talvez tenha sido atenuada por cinco anos difíceis na Ferrari, que provavelmente lhe ensinaram que o cenário político do esporte havia mudado. Suas tentativas no mercado de inverno fracassaram, e seu retorno à McLaren parece mais um recuo após perder oportunidades na Red Bull e na Mercedes, uma decisão que manchou um pouco a aura do bicampeão. No entanto, a Fórmula 1 continua sendo importante demais para Alonso para que ele possa se afastar. Quando seu retorno a Woking foi confirmado, ele mencionou assuntos pendentes e um sentimento persistente de inacabado. Só podemos esperar que esse sentimento também traga a promessa de uma vitória tão esperada, que lhe escapou nas últimas temporadas e que ele está desesperado para reconquistar. O próximo capítulo de sua história se somará a um livro já repleto de triunfos e reveses. Alonso só pode esperar que a tinta que escreverá as últimas páginas de sua saga com a McLaren e Ron Dennis seja muito mais agradável do que a anterior.