Depois de conquistar seu terceiro título mundial de Fórmula 1 este ano, Max Verstappen consolidou seu lugar na história do automobilismo.
Com apenas 26 anos, Max Verstappen já se juntou ao seleto clube dos tricampeões mundiais, uma lista que mais parece um panteão: Jack Brabham (1959, 1960, 1966), Jackie Stewart (1969, 1971, 1973), Niki Lauda (1975, 1977, 1984), Nelson Piquet (1981, 1983, 1987) e Ayrton Senna (1988, 1990, 1991). Seis pilotos compartilham agora esse recorde de três títulos, e o desempenho de Verstappen é ainda mais notável porque, como Sebastian Vettel antes dele, ele conquistou seus três primeiros títulos em temporadas consecutivas, um feito que nenhum outro tricampeão conseguiu.
A raridade de um triplo coloca Verstappen no mesmo nível dos maiores nomes da história do esporte. À sua frente estão Alain Prost e Vettel, com quatro títulos cada, Juan Manuel Fangio com cinco títulos, e os detentores do recorde ex aequo Michael Schumacher e Lewis Hamilton, com sete títulos cada. No entanto, a rápida ascensão de Verstappen o distingue das lendas que precisaram de mais tempo para acumular seus louros.
Consideremos a trajetória daqueles que também conquistaram três coroas. Jack Brabham, o único piloto a conquistar um título em um carro de sua própria fabricação, venceu seus dois primeiros campeonatos com a Cooper em 1959 e 1960, antes de terminar atrás dos dominantes Ferraris de Phil Hill e Wolfgang von Trips na temporada de 1961. Ele voltou ao degrau mais alto do pódio em 1966 ao volante do Brabham homônimo, um feito único na história da Fórmula 1. Os três títulos de Jackie Stewart foram conquistados em cinco temporadas, começando com a Matra em 1969, seguido por duas vitórias para a Tyrrell em 1971 e 1973. Cada uma de suas vitórias foi intercalada por derrotas para os pilotos da Lotus – Jochen Rindt em 1970 e Emerson Fittipaldi em 1972 – destacando as flutuações da competição naquela época.
Niki Lauda relançou a sorte da Ferrari com dois títulos consecutivos em 1975 e 1977, antes de se juntar à Brabham e, depois, à McLaren, onde conquistou seu terceiro título em 1984. Sua temporada de 1976, marcada para sempre por um terrível acidente em Nürburgring e uma derrota por um ponto para James Hunt, deixava entrever uma possível tríplice coroa, que acabou sendo frustrada pelas circunstâncias. Os três títulos de Nelson Piquet cobriram uma década de mudanças técnicas. Depois de conquistar o título com a Brabham em 1981 e 1983, um motor BMW caprichoso privou-o de um terceiro título consecutivo em 1982. Ele finalmente conquistou seu terceiro campeonato em 1987 com a Williams, uma temporada marcada por sua rivalidade com Nigel Mansell. Alain Prost, único campeão mundial francês, por pouco não conquistou um quarto título consecutivo. Depois de dois títulos consecutivos em 1985 e 1986, ele terminou em segundo lugar, a dois pontos de Piquet em 1983 e a meio ponto de Lauda em 1984. Com um pouco mais de sorte, ele poderia ter entrado para o seleto clube dos pilotos que conquistaram quatro títulos consecutivos. Ele então acrescentou duas vitórias ao seu palmarés em 1989 e 1993. Ayrton Senna brilhou desde sua estreia em 1984, conquistando seu primeiro título com a McLaren em 1988. Um duelo acirrado com seu companheiro de equipe Prost culminou em uma colisão em Suzuka em 1989, que lhe custou um segundo título consecutivo. Ele se recuperou e conquistou os títulos em 1990 e 1991, consolidando seu legado como um dos campeões mais carismáticos do esporte.
Os primeiros títulos consecutivos de Michael Schumacher com a Benetton em 1994 e 1995 abriram caminho para uma série histórica com a Ferrari. Após um período de reconstrução, ele encerrou o mais longo período de seca do esporte ao conquistar o título em 2000, e continuou a dominar com cinco campeonatos consecutivos, um recorde que ainda permanece.
Lewis Hamilton igualou os sete títulos de Schumacher, começando com uma vitória histórica em 2008 pela McLaren, que o tornou o campeão mais jovem da época. As mudanças regulamentares de 2009 dificultaram sua defesa do título, mas sua passagem pela Mercedes em 2013 abriu um novo capítulo, permitindo-lhe conquistar mais seis coroas entre 2014 e 2020.
Sebastian Vettel, único piloto a manter seus dois primeiros títulos, também conquistou uma série de quatro vitórias consecutivas entre 2010 e 2013, graças ao chassi Red Bull projetado por Adrian Newey. A chegada dos motores híbridos V6 em 2014 inclinou a balança a favor da Mercedes e Hamilton, pondo fim ao domínio de Vettel.
Nesse contexto, os três títulos consecutivos de Verstappen não só o colocam no mesmo nível de Vettel no início de sua carreira, mas também estabelecem uma referência para qualquer piloto que aspire a entrar para o panteão das lendas com vários títulos. A trajetória do holandês sugere que, se a história servir de referência, o próximo passo pode ser um quarto título consecutivo histórico, um desafio que reescreveria mais uma vez os livros de recordes. Os livros de história já sentem os primeiros sinais de uma nova era. Após uma campanha emocionante em 2021, decidida na última volta da final da temporada, e um confronto em 2022 que viu a Red Bull e a Ferrari se enfrentarem durante metade do ano, Max Verstappen conquistou agora o terceiro campeonato consecutivo com uma margem que não deixa margem para dúvidas. Com apenas 25 anos, ele detém o recorde de piloto mais jovem a vencer um Grande Prêmio, conquistar um título mundial, ganhar dois campeonatos consecutivos e, agora, tornar-se tricampeão mundial, tudo isso antes de completar 26 anos. Essas etapas importantes sugerem que seu domínio não é um fogo de palha, mas uma força duradoura que está remodelando a Fórmula 1. Enquanto Verstappen consolida seu lugar entre as lendas do esporte, o próximo capítulo promete ser rico em recordes, com muitas referências que ele já quebrou e que devem cair ainda mais nas próximas temporadas.