Hamilton e Schumacher conquistaram juntos 91 vitórias na Fórmula 1. Qual lista dos 10 melhores pilotos escolher quando se combinam os resultados deles?
A igualdade de 91 vitórias em Grandes Prêmios entre Lewis Hamilton e Michael Schumacher reacendeu o debate secular: como comparar triunfos conquistados em carros que não poderiam ser mais diferentes? Antes que o recorde finalmente mude a favor de Hamilton, podemos examinar as vitórias mais emblemáticas de cada piloto e ver o que elas nos ensinam sobre a evolução da Fórmula 1. Abaixo, você encontra as posições 10 a 6 de um novo ranking que avalia cada vitória com base nas circunstâncias do dia, seu impacto no esporte e o legado do piloto. 10 – China, 2011 (Hamilton) A corrida que provou que uma McLaren ainda podia vencer uma Red Bull.
A volta de qualificação de Hamilton em Xangai foi prejudicada por um incidente causado por uma falha no filtro de ar e um vazamento de óleo, mas ele ainda assim se classificou bem. Na largada, ele ultrapassou Sebastian Vettel e rapidamente se viu em um duelo com seu companheiro de equipe Jenson Button. O Grande Prêmio teve seis líderes diferentes, e a estratégia agressiva de três paradas de Hamilton deu certo. Ele fez uma ultrapassagem impecável sobre Button na reta, sem DRS, depois ultrapassou Nico Rosberg e Felipe Massa antes de se aproximar de Vettel na longa curva à esquerda da sétima volta, a quatro voltas do final. “Esta é uma das melhores corridas da minha carreira”, disse ele mais tarde. Essa vitória aconteceu durante um ano difícil para o britânico, mas sua gestão magistral dos novos pneus Pirelli e sua capacidade de tirar o máximo proveito de um carro que não era mais a referência mostraram que Hamilton ainda podia se impor diante do domínio da Red Bull. 9 – Bélgica, 1997 (Schumacher)
Um domínio controlado sob a chuva em Spa. Partindo em terceiro lugar ao volante de sua Ferrari em um circuito encharcado de Spa-Francorchamps, Schumacher mergulhou no caos da primeira volta, ultrapassando a Benetton de Jean-Alesi no final da primeira volta e, em seguida, alcançando a Williams de Jacques Villeneuve, na liderança, na curva à direita “Rivage”. O piloto alemão abriu uma vantagem considerável, chegando a liderar por um minuto a nove voltas do final, antes de levantar o pé para cruzar a linha de chegada com 27 segundos de vantagem. Esta vitória consolidou a reputação de Schumacher como «mestre da chuva» e marcou o início de uma relação estreita com Spa, um circuito onde mais tarde conquistaria seis vitórias em 16 tentativas entre 1992 e 1997.
8 – Mônaco, 2019 (Hamilton) Uma homenagem emocionante em uma batalha tática. Trinta e sete anos após o duelo entre Senna e Mansell em 1992, Hamilton enfrentou Max Verstappen nas ruas de Monte Carlo. Partindo da pole position, Hamilton parou na 9ª volta para trocar os pneus e passar para pneus médios, enquanto Verstappen optou por pneus mais duros, criando assim uma diferença evidente em termos de desempenho dos pneus para as 69 voltas restantes. O holandês pressionou, tentando até mesmo uma manobra por dentro na saída do túnel, mas a defesa constante de Hamilton e a preservação impecável de seus pneus lhe permitiram conquistar sua terceira vitória em Mônaco (depois de 2008 e 2016). Ele descreveu essa corrida como “uma das mais difíceis da minha carreira”. Essa vitória teve um significado pessoal: foi uma homenagem a Niki Lauda, o consultor da Mercedes que convenceu Hamilton a deixar a McLaren em 2012. Hamilton homenageou Lauda usando um capacete vermelho no rádio quando cruzou a linha de chegada, um gesto que transformou uma vitória estratégica em uma sincera despedida de seu mentor.
7 – Hungria, 1998 (Schumacher)
No Hungaroring, a estratégia prevaleceu sobre a velocidade. O plano mestre da Ferrari, elaborado pelo diretor técnico Ross Brawn, previa que Schumacher se classificasse com um tanque pouco cheio e, em seguida, fizesse três paradas nos boxes para forçar os dois McLaren de Mika Hakkinen e David Coulthard a adotarem um ritmo reativo. A aposta deu certo: Schumacher assumiu a liderança, abrindo uma vantagem de 25 segundos em apenas 19 voltas e conquistando a vitória, enquanto seus rivais se esforçavam para alcançá-lo. A corrida destacou a relação simbiótica entre Schumacher e sua equipe, uma parceria que dominaria o início dos anos 2000 sob a liderança de Jean Todt e Brawn, e ressaltou como uma estratégia de reabastecimento bem escolhida poderia transformar um circuito sinuoso e de baixa velocidade em uma vitrine para uma tática brilhante.
6. Alemanha 2018 (Hamilton)
As circunstâncias da vitória:
Ninguém previa a vitória de Lewis Hamilton em Hockenheim, especialmente depois de ele ter se classificado apenas na 14ª posição devido a um problema hidráulico. A chuva que caía naquele dia transformou o circuito em um playground para o talento do piloto britânico. Na 15ª volta, ele já havia subido para a quinta posição e continuou a abrir caminho pelo pelotão, ultrapassando uma dúzia de rivais. Confiante no clima, Hamilton prolongou sua corrida, esperando que a chuva se intensificasse. Isso valeu a pena: quando Sebastian Vettel sofreu um acidente na seção do estádio na 54ª volta e uma penalidade de pit stop não foi aplicada, Hamilton assumiu a liderança, mesmo depois de cortar brevemente a grama antes da pista dos boxes, uma manobra ilegal que passou despercebida. Enquanto Vettel cometeu um erro caro, Hamilton manteve a liderança, e seu pódio na chuva selou uma vitória decisiva. O impacto da vitória: Este domingo em Hockenheim marcou uma virada no campeonato de 2018, que havia sido dominado por Vettel até aquele momento. O erro de Vettel permitiu que Hamilton assumisse a liderança, que ele nunca mais perdeu. Essa vitória ocorreu em um momento em que a ameaça da Ferrari na era híbrida estava no auge e deu a Hamilton a vantagem sobre seu principal rival. Mesmo dentro da garagem da Mercedes, o estrategista James Vowles pediu a Valtteri Bottas para não desafiar o inglês, a fim de garantir o máximo de pontos. Esse desempenho destacou o status de Hamilton como futuro pentacampeão mundial, título que ele conquistaria oficialmente mais tarde naquele ano, em outubro de 2018, no México.