Depois de passar meses na retaguarda e suportar anos sem vitórias, Fernando Alonso parece cansado. Será que ele conseguirá encontrar o impulso necessário para conquistar o tão cobiçado terceiro título mundial?
Desde o início do ano, Fernando Alonso repete a mesma coisa para quem quer ouvir: a McLaren é a única chance realista, a médio prazo, de destronar a Mercedes e dominar a Fórmula 1. O espanhol parece convencido do seu próprio mantra, mas o grande público continua cético. Esse ceticismo é fácil de justificar quando se olha para o desempenho irregular da McLaren e da Honda até agora. O motor japonês praticamente não evoluiu desde março e, após cada corrida, os dois pilotos foram humilhados, com a maioria dos concorrentes ultrapassando-os nas retas. Até agora, o bicampeão mundial adotou um tom diplomático, chegando a comemorar um 16º lugar no grid de largada, que o colocava logo à frente de seu companheiro de equipe Jenson Button. O piloto impetuoso e impulsivo que conhecemos na Ferrari praticamente desapareceu, até o Grande Prêmio do Japão, no exigente circuito de Suzuka, onde ele finalmente perdeu a paciência. Ao comparar o motor Honda a um motor GP2, Alonso desencadeou uma tempestade no paddock, provocando uma reação furiosa do chefe de longa data da McLaren, Ron Dennis, que afirmou que isso parecia uma repetição dos seus pesadelos de 2007.
Quer essa explosão tenha sido um gesto calculado para pressionar os dirigentes da Honda a agir em seu próprio terreno ou simplesmente um impulso de adrenalina, a mídia amplificou suas palavras, desencadeando uma enxurrada de comentários e expondo os limites do que o paddock está disposto a tolerar do piloto espanhol. Alonso, amplamente considerado por seus colegas como um dos melhores, se não o melhor, de sua geração, sente o tempo passar. Já faz mais de dois anos que ele não conquista uma vitória e quase uma década desde seu segundo título mundial. A decepção na Ferrari não fazia parte de seus planos e, com perspectivas sombrias no final de 2014, ele foi forçado a fazer uma escolha ousada na esperança de recuperar a emoção da vitória.
A parceria McLaren-Honda ofereceu-lhe um vislumbre de esperança. Ele sabia o que esperar quando assinou, mas certamente não esperava progressos tão escassos ao longo da temporada. Desde a chegada dos híbridos V6, os motores tornaram-se o fator decisivo na tecnologia dos monolugares. A aerodinâmica e a experiência das equipes agora importam muito menos do que o próprio motor. A Red Bull, sob a liderança de Adrian Newey, incorporou esse entendimento em um carro finamente ajustado, e a McLaren não é diferente: um chassi bem projetado, mas equipado com um motor fraco. Esse é o cerne do drama de Alonso, e ele está ciente disso. Seu futuro não depende mais apenas dele; ele precisa confiar no projeto McLaren-Honda se quiser lutar por vitórias e pelo campeonato no curto prazo.
A paciência nunca foi o forte do bicampeão mundial, e ele pode acabar se voltando para outras modalidades para saciar sua sede de vitórias. Por enquanto, porém, ele precisa suportar a pressão, permanecer fiel à sua equipe e manter a esperança de que um dia conquistará o triunfo que finalmente porá fim a esse sentimento de inacabado.