Ferdinand Habsburg, descendente da dinastia Habsburgo-Lorena, construiu uma carreira notável e agora compete como piloto de resistência alpina, estreando-se num Hypercar nas 24 Horas de Le Mans. Ele pretende ganhar experiência este ano e almejar a vitória na próxima temporada.
Cento e oitenta e oito nomes constam da lista de participantes, e um deles chama imediatamente a atenção. Não é o nome mais famoso do automobilismo, mas remete às aulas de história da escola: Ferdinand Habsburg, o mesmo sobrenome da dinastia que outrora reinou sobre o Império Austro-Húngaro.
Não é uma coincidência. O piloto da Alpine é um descendente direto dessa linhagem. Nascido em Salzburgo, o bisneto de Carlos I, último imperador austro-húngaro, deixou para trás sua herança aristocrática para se lançar na busca pelos carros mais rápidos do planeta. Esta será sua quarta participação em Le Mans, acrescentando um novo capítulo à incrível saga automobilística de sua família.
Sua trajetória profissional convida à comparação com outra lenda austríaca, Niki Lauda, mas Habsburg insiste que as semelhanças se limitam ao amor comum pelas corridas automobilísticas. “Ainda aprendo muito com o que Niki fez e com sua maneira de pilotar”, diz ele com um sorriso. “De certa forma, ele é um modelo para mim. Desde muito jovem, o futuro piloto de 27 anos esteve rodeado de carros. Seu pai, apaixonado por Porsche, colocou-o em um kart antes mesmo de ele saber andar. “Eu adorava a sensação de controlar um kart”, lembra Habsburg. “Volta após volta, vendo meus tempos melhorarem, foi aí que minha paixão se desenvolveu. Foi o seu talento, e não o dinheiro, que o impulsionou para a frente: várias vitórias no karting, um segundo lugar na Euroformula e uma quase vitória em Macau durante a sua passagem pela Fórmula 3. Ele aprecia a leveza e a natureza exigente destes carros, afirmando que «eles ensinam muito e as sensações são incríveis». Em outubro de 2023, ele assumiu o volante do Alpine Hypercar, o A424, pela primeira vez durante uma sessão de testes. “Eu me senti à vontade imediatamente, foi incrível”, admite, acrescentando que estava ansioso para passar para o próximo teste. «Não sou bom em ficar na cama por semanas, fico agitado.» Esse sentimento se confirmou no Catar, onde terminou em sétimo lugar ao lado de Charles Milesi e Paul-Loup Chatin. «Identificamos rapidamente nossos pontos fracos em relação à concorrência», observa.
Um acidente durante testes privados na Espanha no final do ano mudou o jogo. Duas vértebras fraturadas o forçaram a um período de repouso em Viena. “Não sou do tipo que fica deitado na cama por semanas, então o mais difícil foi aprender a relaxar”, explica Habsburg, que agradece ao seu círculo de amigos pelo apoio.
Embora tenha nascido em Salzburgo, ele se mudou para Viena para estudar e agora considera a capital sua casa, descrevendo-a como “bonita e muito segura”. No entanto, ele continua apegado à sua cidade natal. «Gosta de montanhas, cerveja e boa comida? Então Salzburgo é perfeita: o inverno traz o mercado de Natal e a neve, o verão oferece tudo o resto», diz ele rindo.
Após várias semanas longe dos circuitos, Habsburg está de volta em forma e pronto para defender o seu título em Le Mans. Em 2021, ao volante de um WRT na LMP2, conquistou a vitória após o azar de um carro irmão na última volta. «Lembro-me de pensar: “Dá o teu melhor e veremos o que acontece”», recorda. Este ano, ele espera repetir essa façanha, mas reconhece o desafio: o A424 está na sua primeira temporada completa na Hypercar, e a Alpine carece de experiência em relação aos seus rivais, como a Ferrari, a Porsche e a Toyota. “Nossa força está em nossa boa mentalidade: permanecemos relaxados e abordamos a corrida com essa atitude”, explica ele, acrescentando que a experiência adquirida no próximo ano será uma vantagem. Seus companheiros de equipe também trazem seu pedigree. Milesi venceu Le Mans em 2021 e Chatin conquistou duas vezes a pole position em La Sarthe. “Isso fala por si”, observa Habsburg. Com uma sólida formação de pilotos, o Alpine nº 35 lutará pela pole position na próxima sessão Hyper Pole, na esperança de que uma boa largada aumente suas chances na maratona de 24 horas, uma corrida que nunca deixa de surpreender.