John Watson comemorou seu 69º aniversário esta semana, a ocasião ideal para relembrar a carreira deste piloto irlandês nascido em Belfast, cujo estilo robusto e recuperações espetaculares nas corridas se tornaram sua marca registrada.
A temporada de Fórmula 1 de 1982 ficará para sempre na memória por suas turbulências, mas por trás das manchetes dedicadas às greves e tragédias está a história de John Watson, um piloto que estava realmente na disputa pelo título mundial até a última corrida. Enquanto Keke Rosberg conquistava o campeonato com uma única vitória, Watson já havia vencido dois Grandes Prêmios e, no papel, tinha boas chances de conquistar o título ao volante de sua McLaren. No final, uma série de infortúnios incessantes privou-o desse sonho e marcou o fim de sua carreira na F1.
A ascensão de Watson ao topo do esporte seguiu um caminho bastante clássico. Depois de chamar a atenção da equipe Brabham na Fórmula 2 em 1973, ele estreou na Fórmula 1 em equipes privadas modestas que lhe ofereciam poucas oportunidades de brilhar. Após um breve período de falsos começos, o britânico barbudo encontrou seu lugar na Penske. Contra todas as expectativas, ele conquistou sua primeira vitória em um Grande Prêmio na corrida austríaca de 1976, um triunfo que veio acompanhado de uma aposta pessoal: se ganhasse, ele rasparia a barba. Ele cumpriu sua promessa, tornando-se um competidor barbeado e respeitado, e conquistando uma vaga cobiçada na McLaren. Os seis anos que Watson passou nessa prestigiada equipe foram tudo menos fáceis. Foi preciso esperar até 1981 para que ele acabasse com sua série de derrotas e finalmente conquistasse a vitória no Grande Prêmio da Inglaterra, em Silverstone. Mas os problemas mecânicos continuaram a assombrar suas campanhas, e seus resultados irregulares lhe renderam o apelido irônico de “John – what's wrong?” (John – o que há de errado?). Em 1980, ele já havia enfrentado o jovem Alain Prost, cujo senso técnico e velocidade bruta já causavam sensação na mesma equipe britânica. A temporada de 1982 viu Watson entrar em uma disputa pelo título que acabou sendo ofuscada por acidentes fatais e um confronto amargo entre as autoridades do esporte e as equipes. Ele começou o ano seguinte com um desempenho espetacular, subindo da 22ª posição no grid de largada para vencer a segunda corrida da temporada no exigente circuito de Long Beach, uma recuperação que ainda está entre as mais espetaculares da F1. No entanto, o resto do ano de 1983 mergulhou no caos; disputas contratuais o afastaram das últimas etapas e ele foi substituído pelo alemão Stefan Bellof.
Abandonando os monolugares, Watson dedicou-se brevemente às corridas de carros desportivos em 1984, antes de tentar um regresso de curta duração à McLaren em 1985 para substituir Niki Lauda, então doente. No Grande Prémio da Europa, viu o seu companheiro de equipa Alain Prost conquistar o seu primeiro campeonato mundial, um momento agridoce que realçou os fracassos de Watson. Ele encontrou certa redenção nas corridas de resistência, vencendo os 1.000 km de Fuji em 1984 e novamente em 1987, além de adicionar à sua lista de conquistas uma vitória nos 1.000 km de Monza em 1987.
A última aparição de Watson na Fórmula 1 remonta a 1991, quando Eddie Jordan o escolheu para lançar a nova equipe Jordan Grand Prix, colocando-o ao volante do chassi inaugural 191. Essas primeiras voltas na pista logo seriam seguidas pela estreia de uma futura lenda, Michael Schumacher, alguns meses depois. A carreira de Watson, marcada por lampejos de genialidade e uma cascata de infortúnios, continua sendo uma lembrança pungente da proximidade com que ele chegou perto da mais alta distinção desse esporte.