Fábricas de F1: n.º 1 Brackley, evoluindo da BAR para a Mercedes

Fábricas de F1: n.º 1 Brackley, evoluindo da BAR para a Mercedes
Crédito: FanF1

Entre dois Grandes Prêmios, a FanF1 lança uma série dedicada à história das fábricas mais emblemáticas da Fórmula 1. O primeiro episódio destaca a fábrica de Brackley, que hoje abriga a Mercedes.

O fim de uma era e o nascimento da fábrica (1999-2005)

No final da década de 1990, a gloriosa escuderia Tyrrell estava à beira do colapso. Dificuldades financeiras obrigaram a equipa de Ken Tyrrell a fechar as portas, deixando para trás um palmarés impressionante: três títulos mundiais, os de Jackie Stewart em 1971 e 1973 e o de construtores em 1971.

A British American Tobacco assumiu o comando, lançando a British American Racing (BAR) com o apoio do campeão de 1997 Jacques Villeneuve, de seu empresário Craig Pollock e do fundador da Reynard, Adrian Reynard. Em vez de simplesmente alugar instalações, a gigante do tabaco encomendou um complexo totalmente novo no noroeste de Londres. Em 1998, as instalações de Brackley, ainda hoje utilizadas, foram inauguradas em Reynard Park, em homenagem ao envolvimento precoce de Adrian Reynard. A temporada de 1999 marcou a estreia oficial da BAR. Os primeiros edifícios foram projetados por Adrian Reynold, e a nova equipe estabeleceu uma meta ousada: desafiar a McLaren e a Ferrari pelos títulos de pilotos e construtores. Para se preparar, a BAR contratou 220 funcionários (além de 280 da subsidiária Reynard, que compartilhava o local). Três engenheiros, Adrian Reynold, Malcolm Oastler e Willem Toet, foram encarregados de projetar o BAR PR01, um carro construído para vencer. A realidade se mostrou mais difícil: o carro não conquistou nenhum ponto em seu primeiro ano, com apenas ganhos modestos nas temporadas seguintes.

Honda assume o comando em Brackley (2006-2008)

No início dos anos 2000, desenvolveu-se uma rivalidade entre a Jordan e a BAR para obter o apoio oficial da Honda. No final, foi a escuderia anglo-americana que levou a melhor, e o fabricante japonês comprou toda a equipa. A Honda herdou um histórico modesto – 15 pódios e duas poles, mas nenhuma vitória – e se instalou na fábrica de Brackley no final de 2005, sua primeira iniciativa em grande escala desde 1968. A infraestrutura britânica permaneceu intacta, mas as cores e os logotipos foram substituídos pela bandeira japonesa nas três temporadas seguintes.

O ano de 2006 parecia promissor: um quarto lugar no campeonato de construtores e a primeira vitória de Jenson Button na Hungria. Os anos seguintes foram bem diferentes: 2007 foi desastroso e 2008 ainda pior. Mesmo o pódio de Rubens Barrichello em Silverstone e a chegada de Ross Brawn não conseguiram recuperar a equipe antes de 2009.

Dois títulos, depois o desaparecimento (2009)

A crise financeira mundial obrigou a Honda a se retirar da F1, deixando a equipe de Brackley em situação de incerteza. Ross Brawn salvou o que restava da equipe e a renomeou Brawn GP. O quadro de funcionários chegou a 450 pessoas, o dobro do tamanho inicial. Com as novas regras aerodinâmicas de 2009 e um motor Mercedes (antes exclusivo da McLaren), a Brawn GP partiu para conquistar os dois campeonatos. A aposta foi vencedora: Jenson Button conquistou sete vitórias e o título de campeão de pilotos, enquanto Barrichello acrescentou duas vitórias ao seu palmarés, tirando partido do potente difusor duplo. Ironicamente, grande parte do desenvolvimento do carro tinha sido realizado sob a supervisão da Honda.

Nascimento de uma máquina de guerra (2010-presente)

Seguiram-se duas rápidas mudanças de proprietário. Depois da Brawn, a Mercedes-Mercedes assumiu o controlo de Brackley, marcando assim a primeira equipa de fábrica da marca alemã desde 1955 e a segunda vez que o local acolhia um construtor automóvel oficial. Esta era começou com o regresso de Michael Schumacher, apoiado pelo seu compatriota alemão Nico Rosberg durante três temporadas.

A partir de 2010, com exceção de um ano relativamente calmo em 2011, a Mercedes F1 teve uma ascensão inexorável: pódios regulares, vitórias em corridas e, a partir de 2014, domínio incontestável graças ao duelo acirrado entre Rosberg e Lewis Hamilton, que durou até a aposentadoria de Hamilton no final de 2016. O complexo de Brackley recebeu quatro equipes distintas desde sua criação em 1999, produzindo máquinas icônicas como o Brawn BGP 001 e todos os carros Mercedes da era híbrida. Hoje, as instalações de Brackley se estendem por cerca de 60.000 m². No interior, cerca de 950 funcionários trabalham 24 horas por dia, dedicando cerca de 250 000 horas por ano aos carros. Estes recursos apoiam uma busca incessante pela excelência, uma busca que permitiu conquistar um título mundial em cada temporada desde 2014.