Celebridades desfilaram em Miami enquanto os VIPs aproveitavam o entretenimento e a extravagância americana do evento. É claro que uma corrida de Fórmula 1 fazia parte das festividades.
Um momento embaraçoso aconteceu diante dos olhos dos telespectadores de todo o mundo quando a F1 testou seu novo formato de apresentação dos pilotos. Os vinte homens desfilaram um após o outro diante de um apresentador que claramente nunca tinha assistido a uma corrida de F1 antes, enquanto Will.I.Am permanecia ali, como um falso maestro. Tudo parecia vazio e sem alma, com celebridades como as irmãs Williams, Roger Federer, Tom Cruise e Vin Diesel assistindo nos bastidores e pilotos que claramente preferiam estar em outro lugar a quinze minutos da largada.
Este episódio resume bem a direção arriscada tomada pela F1: a busca pelo glamour a qualquer custo, especialmente em sua vontade de conquistar o mercado americano. Em Miami, tudo parecia artificial – o ambiente, o desfile constante de estrelas, o trabalho incessante das câmaras – ao ponto de nos perguntarmos se Vin Diesel não teria tido mais tempo de antena do que Nyck de Vries. A fraca afluência durante os treinos livres mostrou que o público não estava lá pela corrida em si.
Em meio a todo esse fasto, não podemos esquecer que viemos a Miami para uma corrida de automóveis e que, francamente, este Grande Prêmio não foi muito emocionante. É verdade que os dois primeiros lugares raramente são disputados e Verstappen está claramente à frente de Pérez em todos os circuitos, exceto nos circuitos urbanos, mas ainda assim esperamos um pouco de ação atrás deles. Houve um número respeitável de ultrapassagens, mas as diferenças entre os carros aumentam rapidamente, o que torna mais difícil acompanhá-los. Sem o DRS, quase nada teria acontecido. As estratégias – uma única parada, como em Baku – não ofereceram nenhuma inovação real, e ver Charles Leclerc preso atrás do Haas de Magnussen por dez voltas levanta questões sobre se os carros da nova geração são realmente projetados para a corrida. Se as ultrapassagens continuarem tão difíceis fora das longas retas, a temporada pode parecer muito longa.
Entramos em uma nova era de domínio incontestável, como aconteceu durante quase duas décadas: primeiro Schumacher, depois Vettel, Hamilton e agora Verstappen. O título provavelmente permanecerá na Red Bull, mas ainda queremos ver batalhas entre Aston Martin, Ferrari, Mercedes e Alpine. Idealmente, oito carros disputariam os pontos lado a lado, mas esse não é o caso atualmente. A solução talvez esteja na busca por novas abordagens pelas equipes, ou talvez o problema seja inerente aos carros da era 2022. Como fãs, teremos que ser pacientes e esperar por corridas mais emocionantes. A boa notícia é que o circo volta à Europa em duas semanas, em Imola, um circuito lendário onde o público vai para assistir à corrida, e não para aparecer nas manchetes dos jornais. Essa deve ser uma mudança bem-vinda para todos, especialmente para a F1.