Eddie Jordan, figura lendária da F1, morre aos 76 anos

Eddie Jordan, figura lendária da F1, morre aos 76 anos
Crédito: FanF1

O antigo chefe da equipa Jordan Grand Prix, Eddie Jordan, faleceu após uma corajosa batalha contra o cancro. O mundo do automobilismo presta homenagem ao seu legado e paixão, recordando um homem que marcou a história.

Eddie Jordan, lenda da Fórmula 1 e verdadeiro pioneiro do automobilismo, faleceu aos 76 anos após uma corajosa batalha contra o câncer. Sua família anunciou seu falecimento na madrugada de 20 de março de 2025, na Cidade do Cabo: “Eddie faleceu pacificamente, cercado por sua família, após lutar por um ano contra um câncer agressivo na próstata.” Jordan começou como piloto antes de fundar a Jordan Grand Prix no início dos anos 1990, uma equipe que revolucionou o status quo da F1. Ele tinha um olho clínico para identificar jovens talentos, lançando a carreira de futuros campeões, e sua equipe conquistou quatro vitórias em Grandes Prêmios, para a alegria dos fãs, provando assim sua competitividade. Depois de vender a equipe, ele se reinventou como comentarista, oferecendo sua experiência, humor e ponto de vista único aos telespectadores. A notícia gerou uma onda de homenagens destacando seu carisma, sua energia contagiante e sua influência duradoura no esporte. O CEO da F1, Stefano Domenicali, e seu antigo amigo e piloto Martin Brundle elogiaram sua autenticidade e sua contribuição inestimável para o crescimento da Fórmula 1. O legado de Jordan perdurará através dos pilotos que treinou, das equipas que inspirou e da paixão que despertou em gerações de fãs. «A sua energia inesgotável fazia sempre as pessoas sorrir; era sincero e brilhante em todas as situações. Eddie marcou toda uma era da Fórmula 1 e sentiremos profundamente a sua falta. Meus pensamentos, assim como os de toda a família da F1, estão com seus entes queridos”, disse o diretor esportivo. Nascido em Dublin em 1948, Jordan se apaixonou pelas corridas de carro como piloto antes de embarcar na aventura que o tornaria uma “estrela do rock” da Fórmula 1. A Jordan Grand Prix entrou no campeonato em 1991 e rapidamente se tornou conhecida. Além de seu papel como diretor de equipe, ele se tornou um rosto familiar nos comentários esportivos, conhecido por sua franqueza, seu humor e seu profundo conhecimento. Sua paixão contagiante e seu senso de ironia fizeram dele uma figura muito querida tanto no paddock quanto entre os fãs de todo o mundo.

A ascensão de Jordan é uma história singular. Ele começou no karting no início dos anos 1970, depois passou para carros de corrida como a Fórmula Atlântica, onde venceu o campeonato irlandês. No final dos anos 70, criou a Eddie Jordan Racing, dando oportunidade a pilotos como Martin Brundle e Johnny Herbert na Fórmula 3. A sua ambição levou-o à Fórmula 3, onde venceu o campeonato de 1989 com Jean Alesi, confirmando o seu talento para descobrir e formar jovens pilotos. A sua entrada na Fórmula 1 em 1990 foi a consequência lógica. Contratou Gary Anderson para gerir as operações diárias, e a estreia da equipa em 1991 marcou o início de uma década de altos e baixos. Após um início promissor, marcado pela primeira corrida de Michael Schumacher e pelo icônico Jordan 191, a equipe passou por períodos difíceis, mas no final da década de 1990, ela provou que podia competir com os gigantes do esporte. A época mais emblemática chegou com a pintura amarela brilhante fornecida pela Benson & Hedges. Este período foi marcado por vários pódios e pela primeira vitória da equipa, uma espetacular dobradinha no Grande Prémio da Bélgica de 1998, celebrada com o famoso salto de cabra de Jordan na via das boxes de Spa. Esta imagem consolidou a reputação da Jordan Grand Prix como «corajosa outsider» face a equipas como a McLaren, a Ferrari e a Williams.

A Jordan queria trazer um pouco de “rock'n'roll” para a F1, e 1999 foi sua temporada de maior sucesso, com Heinz-Harald Frentzen conquistando duas vitórias e disputando o título de campeão de pilotos. No Grande Prêmio da França daquele ano, o hino nacional irlandês foi tocado pela primeira vez no pódio, um momento de orgulho para a Irlanda. Dificuldades financeiras forçaram a equipe a ser vendida ao Midland Group no final de 2004. Desde então, a equipe mudou de mãos várias vezes e agora corre sob o nome de Aston Martin, herdeira direta da visão original de Jordan. Além da propriedade da equipe, Jordan tornou-se um respeitado analista da F1, compartilhando seus conhecimentos durante as transmissões das corridas. Ele também surpreendeu o paddock ao se tornar o empresário do famoso designer Adrian Newey, uma parceria que despertou muito interesse. Ciclista apaixonado, passou grande parte de sua vida na África do Sul. Em dezembro de 2024, ele revelou que estava com um câncer agressivo, exortando a todos a “não perder tempo, não adiar as coisas. Façam exames. Cuidem do seu corpo.”

A lista de pilotos que devem parte do seu sucesso a Jordan parece um panteão: Michael Schumacher, Giancarlo Fisichella, Eddie Irvine, John Watson, Martin Brundle, Rubens Barrichello e Jean Alesi, entre outros. A sua equipa foi um verdadeiro trampolim para muitos talentos.

Mike Cowell, diretor da equipe Aston Martin, expressou sua tristeza: “Eddie Jordan é um dos maiores nomes do automobilismo, um indivíduo único, um ser humano maravilhoso e um líder carismático que fundou esta equipe e a levou à Fórmula 1 em 1991. Sua visão lançou as bases para o nosso sucesso e deixa um legado duradouro para toda a comunidade do automobilismo. Prestamos homenagem a uma lenda deste esporte.”