Dallara: muito mais do que um simples fabricante

Dallara: muito mais do que um simples fabricante
Crédito: FanF1

As condições meteorológicas extremas obrigaram os organizadores a cancelar o Grande Prêmio da Emília-Romanha. Não muito longe dali, perto de Parma, a Dallara continuou a trabalhar sem descanso. A FanF1 foi visitar essa empresa.

Enquanto o Grande Prêmio da Emília-Romanha era adiado devido às chuvas incessantes do mês de maio, outra corrida acontecia nas colinas ao norte de Parma: uma corrida para formar os engenheiros e projetistas que construirão os carros de corrida do futuro. No campus isolado da Dallara, o especialista italiano em chassis transformou sua oficina de produção em uma academia em tempo integral, e os resultados já estão remodelando o viveiro de talentos desse esporte.

Gianmarco Beltrami, diretor de marketing e comunicação da Dallara, observa essa transformação há onze anos. Ele recebe os visitantes com o mesmo entusiasmo que reserva aos jovens aprendizes que chegam a cada semestre. “Não somos apenas uma fábrica”, diz ele, “somos um laboratório vivo”. Essa afirmação é comprovada por instalações concretas: um túnel de vento compacto, um banco de testes em miniatura para testes de colisão e uma estação de quiz com tela sensível ao toque, onde alunos de 11 a 19 anos experimentam as propriedades dos materiais e os conceitos aerodinâmicos, desde a força de apoio básica até os conjuntos aerodinâmicos complexos usados na Indy 500.

Os resultados da academia são impressionantes. Todos os anos, a Dallara forma cerca de 25 designers e 175 engenheiros, todos treinados nos métodos próprios da empresa. Beltrami afirma que a maioria das universidades se concentra na teoria, enquanto a Dallara mergulha seus alunos diretamente no trabalho prático, refletindo a realidade cotidiana de uma oficina de carros de corrida. O programa é deliberadamente prático: o manuseio de materiais compostos, a estratificação da fibra de carbono e os detalhes da construção do chassi dominam o programa. Além das salas de aula, o campus abriga uma galeria que traça a evolução da empresa, desde a modesta oficina de Gian Paolo Dallara em 1972 até a potência mundial que é hoje no campo da engenharia. As paredes estão repletas de peças importantes: o Lamborghini Miura da década de 1960, que a Dallara ajudou a moldar com sua disposição revolucionária do motor na posição central traseira, o protótipo de corrida de montanha SP1000, que introduziu o assento do motorista axial, e o primeiro monoposto de Fórmula 3 em fibra de carbono, que estabeleceu uma nova referência em termos de desempenho e leveza. A narrativa do museu continua com os triunfos modernos. Os visitantes podem admirar o Haas F1 2020 pilotado por Romain Grosjean, o KTM X Bow que Sophia Floersch conduziu em Macau e o Dallara IndyCar 1998 que levou Eddie Cheever à vitória nas 500 milhas de Indianápolis, uma vitória que marcou o primeiro triunfo da empresa nesta corrida, há 25 anos. Uma peça particularmente emocionante é a Z-Bike, a máquina de três rodas construída pela Dallara para o ex-piloto de F1 Alessandro Zanardi após seu acidente na CART em 2001; esse veículo o ajudou a conquistar quatro medalhas de ouro nos Jogos Paraolímpicos.

A influência da Dallara agora se estende muito além de suas raízes italianas. A parceria com a Haas na Fórmula 1 reflete uma ofensiva estratégica nos Estados Unidos, enquanto a empresa fornece chassis para os programas LMDh da Cadillac e BMW na IMSA e no WEC. Seu papel de longa data como único projetista de chassis IndyCar consolida seu status nos dois lados do Atlântico. Em resumo, o discreto complexo localizado perto de Parma é menos um local turístico e mais um caldeirão para a próxima geração desse esporte. Como diz Beltrami, “a inovação está no nosso ADN; transmitimos esse ADN aos engenheiros e designers que o farão progredir”. O futuro do automobilismo não se forja nas pistas, mas nos corredores da academia Dallara.